Craque da Croácia foi refugiado de guerra e pode ser preso por perjúrio

Luka Modric briga para ser o melhor jogador da Copa do Mundo, mas enfrenta resistência no seu país

Camisa 10, capitão, craque, líder... Luka Modric é a grande estrela da seleção croata que surpreendeu a Inglaterra nesta quarta-feira, 11, e se garantiu na decisão da Copa do Mundo pela primeira vez na sua história. Porém, para brilhar dentro de campo o meia teve que superar várias adversidades.

Como alguns dos seus companheiros, Modric foi um refugiado da guerra da independência da Croácia (1991-1995). Quando criança teve que fugir da aldeia de sua família, Modrici, localizada na montanha de Velebit, perto do Mar Adriático, após ter sua casa destruída e foi parar em Zadar, cidade sobre o mar onde foi morar.

No entanto, todo esse passado de sofrimento foi esquecido. O grande futebol apresentado pelo Real Madrid, da Espanha, também. Os croatas contestam o seu grande craque por envolvimento no maior escândalo de futebol do país. “Luka, você vai se lembrar deste dia”. Essa é a frase em uma pichação em um hotel em Zadar, que recebeu a família refugiada de Modric, que decepcionou os seus compatriotas por falso testemunho para ajudar Zdravko Mamic, um dos dirigentes mais famosos da Croácia.

Modric, que foi acusado em março, pode pegar de seis meses a cinco anos de prisão se for condenado. O zagueiro Dejan Lovren, outro titular dos croatas no Mundial, também está sendo acusado do mesmo crime.

Entenda o esquema

Diretor do Dínamo Zagreb, Mamic procurava jovens talentos e fazia com que eles assinassem contratos fraudulentos, que permitiam que o dirigente ficasse com os lucros das transferências. Ele foi condenado a seis anos e meio de cadeia pouco tempo antes do início da Copa do Mundo por ter desviado R$ 68 milhões do clube, além de sonegar R$ 74 milhões. Por alegar inocência, pediu abrigo na Bósnia-Herzegovina.

E Modric foi um desses jovens talentos agenciado por Mamic. Em 2004, o camisa 10 da Croácia era um dos grandes destaques do Dínamo Zagreb. O meia foi vendido após quatro anos ao Tottenham por R$ 108 milhões. O jogador teria direito a ficar com metade do valor, mas ele acabou ficando só com R$ 8,7 milhões.

No começo das investigações Modric confirmou o esquema. Porém, ele voltou atrás em junho do ano passado. Com isso, ele passou a ser odiado entre muitos torcedores que chegaram até a rasgar pôsteres do craque e xingá-lo em jogos de futebol.

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