Eduardo Gambier

Estudante de Jornalismo apaixonado por artes marciais, começou a cobrir esportes de combate aos 16 anos de idade, tendo entrevistado grandes lendas do esporte, como José Aldo, Maurício Shogun, Demian Maia e Rafael Cordeiro. Já atuou como comentarista em eventos do MMA Internacional, como o ONE FC e PFL. Nesta coluna fará análises de forma imparcial sobre os maiores eventos e lutadores do mundo da luta.

Nocaute

Amanda Ribas: a próxima superestrela do Brasil

Por Eduardo Gambier 17/11/2020 • 13:33
Amanda Ribas reúne qualidades para se tornar uma grande campeã
Amanda Ribas reúne qualidades para se tornar uma grande campeã
Reprodução/Instagram Amanda Ribas

Neste momento, o Brasil vive uma carência de ídolos no MMA. Com a aposentadoria de Anderson Silva, irmãos Nogueira, Wanderlei Silva e cia, o público médio acabou perdendo uma referência para idolatrar e acompanhar. Atualmente quem vem mostrando serviço dentro do ultimate são as mulheres. Amanda Nunes é campeã em duas categorias e se tornou a maior lutadora de todos os tempos. Jessica Andrade é ex-campeã no peso palha, atual número 1 na categoria até 56,7kg e possui um sistema de luta empolgante, com ótimas quedas e poder de nocaute. Outra grande atleta é Cris Cyborg, que conquistou o cinturão em quatro organizações diferentes e dominou uma era no peso pena feminino.

Agora, a dona da vez é Amanda Ribas, tudo indica que temos uma grande pop star surgindo. Com apenas 27 anos, a mineira atingiu um lastro de competição altíssimo, é completa em todos os setores. Ela se comporta de maneira uniforme e didática no octógono, sabendo muito bem manter a distância no combate, com as entradas de quedas. No duelo contra a campeã mundial de jiu-jitsu Mackenzie Dern, Ribas demonstrou uma grande evolução na luta em pé, principalmente na movimentação da cabeça e combinações de jabs diretos e cruzados. Apresentou também ótimo tempo nas defesas de queda e foi perfeita na hora de utilizar o harai goshi (queda com o quadril do judô), revertendo uma entrada de clinch.  

Em quatro lutas no UFC, Amanda não perdeu sequer um único round, vencendo todos eles na luta contra Ronda Markos, wrestling iraniana de altíssimo calibre. No combate mais recente contra Paige VanZant, ela teve sua melhor atuação, dominou todas as ações e com pouco mais de dois minutos aplicou um belo arm-lock, liquidando a fatura. Com o triunfo, a brasileira entrou no top 10 da categoria. Além da competência, Amanda é bonita e carismática, atraindo o olhar de um público majoritariamente masculino.  

A brasileira ainda é inteligente, com pouco tempo de UFC já consegue se virar bem no inglês. Seu pai, principal treinador, não é egocêntrico e narcisista, querendo os méritos do sucesso apenas para si. Aconselhou a filha a dividir os camps entre Minas Gerais e o American Top Team, algo que impulsionou a visão da lutadora e abriu um leque de competições. Por lá, ela consegue efetuar sparring com Amanda Nunes, Nina Ansaroff, Kayla Harrison e Joana Jedrzejczyk, algo que agrega ao treinamento de qualquer atleta.

Não vou ficar em cima do muro, acredito que Amanda Ribas está no mesmo nível ou superior de boa parte da categoria feminina mais disputada. Está atrás apenas de Rose Namajunas, Joanna Jedrzejczyk e da campeã Weili Zhang, mas é algo que no média prazo, com treino, empenho, centralidade e coerência pode chegar ao topo da categoria.  

No duelo contra Michelle Waterson terá o maior desafio da carreira, é um embate muito equilíbrio, a carateca já enfrentou as melhores atletas da divisão. O melhor caminho é jogar a luta no solo e honrar sua faixa preta de jiu-jítsu. Em pé, o melhor caminho é encurtar a distância para evitar os chutes e se movimentar o tempo inteiro, pressionando a norte-americana. Em caso de vitória, a mineira carimba sua vaga como uma das próximas desafiantes ao título, precisando de apenas mais duas vitórias para conseguir a tão sonhada chance de conquistar o cinturão do peso palha.  

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