Eduardo Gambier

Estudante de Jornalismo apaixonado por artes marciais, começou a cobrir esportes de combate aos 16 anos de idade, tendo entrevistado grandes lendas do esporte, como José Aldo, Maurício Shogun, Demian Maia e Rafael Cordeiro. Já atuou como comentarista em eventos do MMA Internacional, como o ONE FC e PFL. Nesta coluna fará análises de forma imparcial sobre os maiores eventos e lutadores do mundo da luta.

Nocaute

Charles do Bronxs: o menino que se tornou um leão

Por Eduardo Gambier 15/12/2020 • 13:24 - Atualizado em 15/12/2020 • 13:55
Charles coleciona oito vitórias seguidas e pode lutar pelo cinturão dos pesos leve
Charles coleciona oito vitórias seguidas e pode lutar pelo cinturão dos pesos leve
Reprodução/Instagram Charles do Bronxs

No início de 2019 fiz uma visita na Chute Boxe do mestre Diego Lima. Por lá, tive o privilégio de ver grandes lutadores de perto, com histórias de vida fenomenais. Charles estava realizando um camp para o duelo contra David Teymur, kickboxer sueco de altíssimo nível, que vinha apresentando ótimas performances no UFC. Lembro do Diego Lima falando sobre a evolução de Charles em pé, e era nítido, movimentação estava perfeita, com ótimas entradas de jab direto e mesclando muito bem os chutes, após o cruzado ou o direto. No combate, Charles finalizou depois de atordoar Teymur em pé, com uma bela cotovelada de baixo para cima, lembrando o famoso golpe de Anderson Silva diante de Tony Fryklund.

Charles chegou ao UFC com apenas 21 anos, após debutar com excelência no MMA regional. Foram 12 vitórias em pouco mais de dois anos de carreira e isso encheu os olhos da maior organização. Depois de vitórias e derrotas, Charles falou a seguinte frase para mim: “irmão, eu era muito novo no começo, não sabia muito o que era certo ou errado dentro do octógono, mas o menino que foi jogado aos leões irá surpreender a todos e se tornar campeão”.  

No final de semana, Do Bronxs dominou Tony Ferguson de forma brilhante, foi sem dúvida a maior vitória e performance da carreira. O norte-americano sempre foi um dos atletas mais temidos e dinâmicos do UFC, era um ótimo wrestling colegial, que aperfeiçoou como poucos a versatilidade da trocação e do jiu-jítsu. Ninguém o dominou como o brasileiro, Charles levou com praticidade Tony para o chão e mostrou um nível de jiu-jítsu muito acima. Parecia um duelo entre um faixa preta e um faixa roxa. Fergunson não é bobo no chão, pertence à maior patente do jiu-jítsu sob a tutela do mestre Eddie Bravo.

Outro aspecto surpreendente em Charles foi a versatilidade e a defesa na luta em pé. Ponto que por muito tempo foi sua grande deficiência no MMA, onde abria muita brecha para os golpes dos adversários e acabava absorvendo muito. O paulista ainda apresentou um ótimo movimento cardiovascular, onde não diminuiu o ritmo em nenhum momento.  

Charles atingiu um ponto alto na carreira, está maduro dentro do octógono. É o maior finalizador do Ultimate e coleciona oito vitórias seguidas. Provavelmente o brasileiro irá para a terceira posição da categoria peso leve e estará a um encaixe de receber a sonhada chance de lutar pelo cinturão. Tudo irá depender se Khabib volta ou não. Caso o russo não volte ao MMA profissional, o título mundial ficará vago e poderá enfrentar o vencedor de McGregor x Porier pelo cinturão, mas o UFC pode segurar a decisão de Khabib e irá abrir mais uma rodada. Portanto, Charles pode sobrar contra Justin Gaethje ou Michael Chandler. Não terá volta ou passo atrás, o brasileiro está com a mão no “title shot” e o justo seria a chance de disputar o cinturão da categoria.  

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