Eduardo Gambier

Estudante de Jornalismo apaixonado por artes marciais, começou a cobrir esportes de combate aos 16 anos de idade, tendo entrevistado grandes lendas do esporte, como José Aldo, Maurício Shogun, Demian Maia e Rafael Cordeiro. Já atuou como comentarista em eventos do MMA Internacional, como o ONE FC e PFL. Nesta coluna fará análises de forma imparcial sobre os maiores eventos e lutadores do mundo da luta.

Nocaute

Deiveson Figueiredo: o lutador do ano

Eduardo Gambier 29/12/2020 • 10:05
Deiveson Figueiredo é o atual campeão dos moscas do UFC
Deiveson Figueiredo é o atual campeão dos moscas do UFC
Reprodução/Instagram Deiveson Figueiredo

Sabemos que o esporte tem a capacidade de mudar culturalmente e socialmente a vida das pessoas. Com Deiveson Figueiredo não foi diferente. O atual campeão dos moscas do UFC teve uma infância simples e difícil no Pará. Na adolescência, ele conheceu Iuri Marajó, lutador peso galo do ultimate, que figurou por muito tempo no top 15 da organização. Iuri o apresentou à mescla das artes marciais e elevou o talento da jovem promessa. Antes de chegar ao maior posto dos esportes de combate, Figueiredo teve de buscar algumas alternativas para se sustentar, foi domador de búfalos, cabelereiro e até mesmo sushiman nas horas vagas.    

Neste ano, o Deus da Guerra realizou quatro lutas no UFC, venceu três embates por cinturão e no último PPV do ano acabou empatando com Brandon Moreno. Vale salientar que caso o brasileiro não tivesse perdido um ponto no combate, teria vencido de forma unânime pelos juízes, pois havia dominado grande parte do combate.

Algo que deve ser enaltecido são as duas vitórias sobre Joseph Benavidez. O norte-americano só havia sido nocauteado uma única vez na carreira e nunca tinha sido finalizado. Deiveson destronou de forma fenomenal um dos maiores nomes do UFC, que perdeu somente para Sergio Pettis, Demetrius Johnson e Dominick Cruz. Na primeira defesa de cinturão, o paraense mostrou classe no chão e finalizou Alex Perez ainda no início da luta, com uma bela guilhotina. Após três semanas, o Deus da Guerra topou salvar o último grande evento do ano, sendo obrigado a passar por outro corte de peso.

Na luta com Brandon, Deiveson mostrou eficiência na movimentação cardiovascular, ótimo poder de nocaute, defendeu-se bem quando estava de costas no chão e apresentou bom controle centro gravitacional. Os dois grandes concorrentes do brasileiro seriam Israel Adesanya e Khazat Chimaev. O nigeriano venceu dois combates no ano, mas o seu triunfo diante de Yoel Romero foi extremamente contestável, até marquei a vitória para o cubano. Já o Lobo venceu de forma excepcional todas as suas lutas, mas não derrotou grandes nomes, todos foram fora do ranking. Seu grande teste será no início do ano contra Leon Edwards.

Deiveson é o grande nome brasileiro no UFC, o campeão conseguiu salvar uma categoria inteira e trouxe entusiasmo para o público médio. O Deus da Guerra tem tudo para se tornar uma grande referência. Precisa corrigir alguns problemas de comunicação e retórica, mas sem perder sua essência simples. Espero que vença a revanche diante do Brandon Moreno e possa lutar com Cody Garbrandt, nome que impulsionaria seu marketing pessoal e poderia explorar a audiência norte-americana. Deiveson, Charles Oliveira e Gilbert Burns são a renovação do MMA brasileiro, podem apostar.

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