Eduardo Gambier

Estudante de Jornalismo apaixonado por artes marciais, começou a cobrir esportes de combate aos 16 anos de idade, tendo entrevistado grandes lendas do esporte, como José Aldo, Maurício Shogun, Demian Maia e Rafael Cordeiro. Já atuou como comentarista em eventos do MMA Internacional, como o ONE FC e PFL. Nesta coluna fará análises de forma imparcial sobre os maiores eventos e lutadores do mundo da luta.

Nocaute

Mike Tyson x Roy Jones Jr.: O Retorno do Século

Por Eduardo Gambier 24/11/2020 • 08:57
Lenda do boxe, Mike Tyson retorna aos ringues 15 anos depois de sua última luta
Lenda do boxe, Mike Tyson retorna aos ringues 15 anos depois de sua última luta
Reprodução/Instagram Mike Tyson

Quando Mike Tyson foi nocauteado por Kevin McBride, em meados de 2005, o mundo da luta esperava que aquele seria seu último capítulo dentro do boxe. Sem lutar há 15 anos, o norte-americano anunciou em 2020 o seu retorno para um confronto de exibição contra Roy Jones Jr. Duelo equilibrado, com quase a mesma faixa de idade e histórico de carreira. No início, com todo o barulho, a imprensa especulou nomes como de Wanderlei Silva e Tito Ortiz para estar do outro lado do ringue com Tyson, algo que seria impensável. Floyd Mayweather x Conor McGregor deixou claro o que pode ocorrer quando dois atletas de modalidades distintas se encontram. Não tem como combinar campeões de alto nível no boxe com atletas de MMA. A experiência, sistema cardiovascular, poder de nocaute, ângulos e velocidade são totalmente diferentes.  

Não sou fã de lutas entre aposentados, mas os ex-campeões merecem respeito. Com 54 anos de idade, Tyson é uma das personalidades com mais dualidade dentro do boxe. Foram 50 vitórias na carreira, 44 nocautes e o título de campeão mais jovem da história dos pesos pesados. Uma pena a trajetória esportiva ter sido afetada por problemas fora do ringue, como falta de ética, crimes e drogas. Jones por sua vez também foi um lutador formidável, com um estilo mais clássico, rápido e técnico, o norte-americano conquistou cinturões em quatro categorias de peso diferentes, além de ter alcançado o feito de ser o único pugilista a ser campeão dos médios e também dos pesados. Ao contrário de Tyson, que deixou os ringues há 15 anos, Roy se aposentou há pouco tempo, em meados de 2018, quando acumulou quatro vitórias consecutivas.

Tyson, que apareceu fazendo manoplas com o mestre Rafael Cordeiro, não conseguirá repetir a intensidade, o poder de nocaute e a movimentação cardiovascular durante 24 minutos. O público precisa entender e aceitar que Mike Tyson está com 54 anos e não luta há 15 anos. Para o nova-iorquino sair com a vitória do confronto do próximo sábado, ele terá de abafar todo o espaço de Jones, mesclar golpes com intensidade na linha de cintura e cabeça, forçar o adversário a se firmar nas cordas e contra-golpear as entradas de clinch com os poderosos uppercuts.  

O caminho da vitória de Roy Jones será um pouco diferente, o ex-campeão terá que evitar qualquer entrada ou sequência do pegador, conseguir utilizar bem as esquivas e golpes na linha de cintura e, principalmente, cansar as mãos poderosas de Tyson nos dois primeiros rounds.  

O duelo marca um encontro de lendas, que apesar de aposentados merecem o máximo de respeito por tudo o que conquistaram na carreira e revolucionaram o boxe. Com toda certeza, o dia 28 de novembro de 2020 ficará na história do mundo da luta.

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