Eduardo Gambier

Estudante de Jornalismo apaixonado por artes marciais, começou a cobrir esportes de combate aos 16 anos de idade, tendo entrevistado grandes lendas do esporte, como José Aldo, Maurício Shogun, Demian Maia e Rafael Cordeiro. Já atuou como comentarista em eventos do MMA Internacional, como o ONE FC e PFL. Nesta coluna fará análises de forma imparcial sobre os maiores eventos e lutadores do mundo da luta.

Nocaute

O erro de Conor McGregor

Por Eduardo Gambier 26/01/2021 • 07:47
Conor McGregor sofreu o primeiro nocaute da carreira diante de Dustin Poirier
Conor McGregor sofreu o primeiro nocaute da carreira diante de Dustin Poirier
Reprodução/Instagram UFC

O MMA nunca será uma matemática exata. Não podemos avaliar os casamentos de forma sucinta e superficial. Vale salientar, que o trabalho duro supera o talento, quando o talento não exerce o trabalho duro. A prepotência e arrogância custam muito caro em um esporte de alto rendimento em que a vitória está nos mínimos detalhes. Podemos ter maior dimensão do assunto quando lembramos os discursos de Conor McGregor e Dustin Poirier antes da luta da madrugada de domingo.

O irlandês prometeu fazer algo belo, magistral e rápido, de nível superior e inigualável dentro do MMA. Já o norte-americano olhou de forma mais ampla, demonstrou mais respeito e citou que a paciência e controle dimensional seriam os pontos necessários para triunfar. O poderoso chefe do UFC, Dana White, por exemplo, já estava contando com a vitória do Notorious e começou a falar sobre a revanche com Khabib Nurmagomedov.

Todos estavam achando que tudo seria igual a 2014, quando Conor nocauteou Dustin em um minuto e meio de luta. Sete anos se passaram desde o primeiro duelo. O Diamante realizou 13 combates, se manteve ativo e tapou alguns buracos em seu jogo. O norte-americano elevou sua movimentação cardiovascular, seu poder de nocaute, absorção de golpes e ritmo de luta. Ele se acostumou a aguentar e resistir a castigos nos duelos e a sobressair nos momentos decisivos. Nas batalhas diante de Max Holloway e Dan Hooker, ele venceu os dois últimos rounds, aumentando o ritmo e explosão de golpes. Já McGregor se distanciou do esporte e deixou as artes marciais mistas em segundo plano.

Logo no começo da luta, Conor partiu para cima do rival para conquistar o nocaute prometido, porém, Poirier foi inteligente, colocou a luta para baixo e conseguiu cansar os braços do irlandês durante o clinch, algo de extrema importância na estratégia feita pelos treinadores da American Top Team. No restante do primeiro round, McGregor conectou os melhores golpes e conseguiu levar a melhor, mas Dustin conduziu bem os espaços e começou a acertar ótimos chutes na canela.

No segundo round, o irlandês não soltou chutes na linha de cintura ou na cabeça, manteve o jab-direto com a mesma proporção e até aceitou encurtar a distância em alguns momentos. Poirier foi inteligente, quebrou a estabilidade do adversário no 18º chute na canela, o que atrapalhou a movimentação de McGregor. O ex-campeão não teve a humildade de mudar a postura, que poderia dar outra cara para o embate. Exemplo clássico foi no duelo entre José Aldo x Petr Yan. O brasileiro “minou” a panturrilha do russo logo no início do combate. Por sua vez, Yan trocou de base e ajustou a distância para acertar o brasileiro no contra-ataque.

No desfecho, Conor foi balançado por Poirier próximo da grade com um cruzado. Ao invés de “clinchar” e segurar a investida do adversário ou até mesmo defender os espaços e caminhar para o lado da mão franca do oponente, o Notório preferiu buscar esquivas e contra-golpear, no entanto, absorveu muito mais e sofreu o primeiro nocaute na carreira após um cruzado certeiro.

Com a aposentadoria de Khabib Nurmagomedov, Dustin deve enfrentar Charles Oliveira ou Michael Chandler pelo título mundial da categoria. Já McGregor tem que decidir seu futuro. Na coletiva pós-luta, o ex-campeão deixou claro que foi surpreendido e se mostrou totalmente desmotivado, porém acredito que voltará ao maior octógono do planeta e seu próximo adversário pode ser Nate Diaz. Não descarto a opção de marcarem a terceira luta entre McGregor e Dustin Poirier. Dana White sempre optou pela opção mais rentável e nada venderia mais no curto prazo do que a trilogia, valendo os títulos dos leves.

*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Bandsports.

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