Eduardo Tironi

Jornalista há 28 anos, a maioria deles dedicados ao esporte, cobriu as Copas do Mundo de 1998 (França), pelo Notícias Populares, e 2006 (Alemanha) pelo Diário Lance!, onde foi editor-executivo. Sete anos como comentarista e editor-executivo na ESPN Brasil, tendo participado da cobertura da Copa do Brasil (2014) e da Olimpíada do Rio-2016 pelo canal.

Papo com Tironi

A enorme dificuldade em reconhecer que o rival foi melhor

Por Eduardo Tironi 29/11/2021 • 10:29
Palmeiras se tornou tricampeão da Libertadores após vitória sobre o Flamengo
Palmeiras se tornou tricampeão da Libertadores após vitória sobre o Flamengo
Reprodução/Twitter Conmebol

Naquele que pode ser considerado o maior confronto entre clubes da história do futebol brasileiro, o Palmeiras venceu o Flamengo e conquistou o tricampeonato da Libertadores.

Abel Ferreira, o cara que desembarcou aqui há pouco mais de um ano, levantou seu terceiro caneco, sendo dois continentais em sequência, coisa que apenas alguns poucos brasileiros conseguiram, como Telê Santana e Lula.

O português anunciou alguns dias antes da final que tinha um plano. E ele ficou claro contra o Flamengo. Com seis minutos de jogo seu time vencia por 1 a 0 em jogada característica: lançamento longo e gol com velocidade e poucas trocas de passes. Do outro lado, a impressão é que o plano de Renato era contar com o talento de seus jogadores, na média melhores do que os do rival.

Muitos resumiram a vitória palmeirense ao erro gravíssimo de Andreas Pereira, que permitiu o gol do maluco Deyverson. Ou que o Rubro-Negro apenas perdeu porque Renato era o treinador.

Fato é que no Brasil há uma enorme dificuldade em reconhecer méritos do adversário quando seu time perde. Sempre foi uma falha dos seus e não capacidade do outro.

A história se repete em outro campeonato. A conversa no momento em que o Galo se aproxima de se tornar campeão brasileiro com incríveis 91% de aproveitamento dentro de casa é que o título está comprado, que o time teve pênaltis demais a seu favor (este último contra o Flu realmente é discutível, mas podemos achar outros parecidos favorecendo todos os times do campeonato, tamanha indigência da arbitragem nacional). Ou que o Flamengo seria o campeão não fosse as convocações de seus jogadores para a Seleção.

Parece não haver um time jogando futebol melhor do que os outros, apenas obstáculos que impedem que o seu seja o vencedor. 

O Brasil só perdeu da França em 1998 porque Ronaldo teve convulsão, em 1982 Paolo Rossi estava endiabrado naquele dia e o Flamengo só ganhou a Libertadores de 1981 por causa de José Roberto Wrightt. São alguns exemplos dessa tara brasileira por achar culpados em todos os lugares, menos na superioridade de um rival.

Olhar méritos no adversário é um bom caminho para tentar ser o próximo campeão. No Brasil, temos um sério problema com isso.

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