Eduardo Tironi

Jornalista há 28 anos, a maioria deles dedicados ao esporte, cobriu as Copas do Mundo de 1998 (França), pelo Notícias Populares, e 2006 (Alemanha) pelo Diário Lance!, onde foi editor-executivo. Sete anos como comentarista e editor-executivo na ESPN Brasil, tendo participado da cobertura da Copa do Brasil (2014) e da Olimpíada do Rio-2016 pelo canal.

Papo com Tironi

A fritura de treinadores vai começar mais cedo

Por Eduardo Tironi 02/04/2021 • 10:58
Alerta sobre Vagner Mancini está ligado após classificação dramática contra o Retrô-PE
Alerta sobre Vagner Mancini está ligado após classificação dramática contra o Retrô-PE
Rodrigo Coca/Ag. Corinthians

A CBF instituiu uma regra nos campeonatos brasileiros das séries A, B e C: cada time poderá trocar de treinador apenas uma vez durante a competição. A regra foi aprovada com uma votação apertada entre os clubes da Série A, um pouco mais folgada na Série B e com larga margem de vantagem na Série C.

Mas a conta parece que vai começar a chegar antes do esperado. Os campeonatos estaduais deverão se transformar em autênticos vestibulares para boa parte dos treinadores brasileiros empregados. Dá para apostar que ao menor sinal de instabilidade, cartolas vão dispensar o professor da vez para não ter de gastar uma troca com o Brasileiro já rolando.

O último sinal de aumento da fritura veio do Parque São Jorge. Depois da classificação suada na Copa do Brasil contra o Retrô, da Série D brasileira, o nome de Vagner Mancini já estaria na boca dos corneteiros mais do que o normal. Não se fala em demissão, mas há um alerta ligado, até porque membros da principal torcida organizada do clube já teve uma reunião com a diretoria.

Em Minas, a campanha titubeante do Cruzeiro de Felipe Conceição também desperta algum incômodo pelos lados da Toca da Raposa, embora o Estadual provavelmente seja o melhor dos problemas do clube, que tem uma Série B para encarar e uma crise financeira e política monumental.

A pandemia do coronavírus é um ingrediente a mais neste processo. Muitos clubes estão parados ou jogando a conta-gotas, mas quando (e se) a bola voltar a rolar normalmente, vai haver um acúmulo insano de partidas, mais ou menos como aconteceu na primeira onda da COVID, em meados de 2020.

Mais jogos, menos tempo para treino e recuperação, mais pressão sobre os técnicos.

Quem vive aparentemente longe de todo este caos são os dois clubes que dominam o futebol brasileiro há algumas temporadas. Abel Ferreira voltou de férias agora e prepara o time para encarar o super-Flamengo de Ceni, que entrou em campo com seus titulares pela primeira vez esta semana e deu ótimos sinais.

Ainda é cedo para cravar, mas ao que parece Palmeiras e Flamengo de novo tendem a passar ao largo dos problemas. Os outros que lutem.

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