Eduardo Tironi

Jornalista há 28 anos, a maioria deles dedicados ao esporte, cobriu as Copas do Mundo de 1998 (França), pelo Notícias Populares, e 2006 (Alemanha) pelo Diário Lance!, onde foi editor-executivo. Sete anos como comentarista e editor-executivo na ESPN Brasil, tendo participado da cobertura da Copa do Brasil (2014) e da Olimpíada do Rio-2016 pelo canal.

Papo com Tironi

Campeão, Abel Ferreira prova que é possível ser o melhor com simplicidade

Por Eduardo Tironi 30/01/2021 • 19:32 - Atualizado em 30/01/2021 • 21:26
Abel Ferreira conquista o primeiro título da carreira com o Palmeiras
Abel Ferreira conquista o primeiro título da carreira com o Palmeiras
Reprodução/Instagram Libertadores Conmebol

Abel Ferreira desembarcou no Brasil com uma missão tão ou mais difícil do que fazer o Palmeiras campeão: a de corresponder às expectativas depositadas nele.

Porque não se imaginava outra coisa de um treinador português a não ser sucesso semelhante ao de Jorge Jesus no Flamengo. Por ironia do destino, pouco antes de chegar à Academia de Futebol, Abel Ferreira, ainda no comando do grego Paok, eliminou o Benfica de Jesus nos playoffs da Liga dos Campeões.

No início, não faltaram provocações insinuando que o treinador não seria nada muito diferente. Ele chegou a ser chamado de "Abel, ex-Braga", uma referência ao brasileiro Abel Braga, considerado um treinador ultrapassado e que, ironicamente, semanas depois virou o jogo e pode ser campeão brasileiro.

Mas fato é que Abel Ferreira, diferentemente de Jesus, não foi um treinador que espantou a todos quando chegou com um futebol muito diferente. E esta foi a sua maior qualidade.

Em vez de mudar tudo, pescou o que o time do Palmeiras tinha de mais forte e melhorou. Herdou um Palmeiras forte defensivamente, mas que utilizava mal as características de seu elenco, como a velocidade.

Construiu um time letal no contra-ataque, recuperando o futebol de Rony, extraindo o melhor de Luis Adriano, potencializando a qualidade de garotos como Patrick de Paula e Gabriel Menino. Fez com que figurões do elenco entendessem que seu papel poderia ser o de liderar sem necessariamente estarem em campo o tempo todo.

Com tudo isso, fez seu time amassar o poderoso River Plate dentro de Buenos Aires. No jogo de volta, a classificação veio sofrida com uma derrota por 2 a 0, e o português ao final foi sincero: "Gallardo é um treinador melhor do que eu".

Se tentasse impor uma marca muito diferente, Abel poderia fracassar no Palmeiras. Mas venceu, com a inteligência de quem sabe que é possível ser o melhor com simplicidade.  

  • eduardo-tironi
  • palmeiras
  • santos
  • app
  • futebol
  • libertadores