Eduardo Tironi

Jornalista há 28 anos, a maioria deles dedicados ao esporte, cobriu as Copas do Mundo de 1998 (França), pelo Notícias Populares, e 2006 (Alemanha) pelo Diário Lance!, onde foi editor-executivo. Sete anos como comentarista e editor-executivo na ESPN Brasil, tendo participado da cobertura da Copa do Brasil (2014) e da Olimpíada do Rio-2016 pelo canal.

Papo com Tironi

Como separar o ser humano Djokovic de seu talento em quadra?

Por Eduardo Tironi 17/01/2022 • 10:53
Djokovic foi deportado pela Austrália e ficou fora do primeiro Grand Slam do ano
Djokovic foi deportado pela Austrália e ficou fora do primeiro Grand Slam do ano
Instagram/Novak Djokovic

Em uma estante na minha casa tenho um bonequinho de um cineasta cujos filmes eu adoro. Tenho discos, camiseta e livro de uma banda que eu amo. As letras e músicas que o líder desta banda fez são geniais.

Recentemente, o roqueiro passou a defender causas indefensáveis para mim. O cineasta foi cancelado depois de acusações de abuso sexual (nenhuma comprovada).

Cada vez que ouço uma música da banda eu me lembro do cantor que se tornou alguém sobre quem eu não quero saber as opiniões. Toda vez que vejo o bonequinho do cineasta na estante penso se não é hora de esconder aquilo. Mas sigo ouvindo músicas da banda que me emocionam até hoje e vendo os filmes.

Um dos maiores esportistas da atualidade foi deportado da Austrália por recusar se vacinar contra a covid-19 e mentir no questionário de imigração ao adentrar ao país. Novak Djokovic se tornou uma figura intragável para quem pensa como eu, que a vacina é importante e não apenas uma proteção pessoal, mas coletiva, contra a pandemia que matou tanta gente no mundo.

Como cultuar uma obra e não cultuar o seu autor? Este é o dilema nas artes e no esporte (que não deixa de ser arte, pelo menos para mim). 

Perceber que obras divinas podem ser criadas por humanos que erram, falham e defendem o indefensável deixa a tarefa menos complicada. (Mas ainda assim muito difícil).

Seguirei vendo Djokovic em quadra, mesmo que para torcer contra. Seguirei ouvindo uma das minhas bandas preferidas, mesmo sabendo que seu ex-líder não representa nada do que eu penso. Seguirei assistindo aos filmes do cineasta. Mesmo com uma pulga atrás da orelha, não quero abrir mão da arte. Seguirei na utopia de separar o criador de sua obra.

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