Eduardo Tironi

Jornalista há 28 anos, a maioria deles dedicados ao esporte, cobriu as Copas do Mundo de 1998 (França), pelo Notícias Populares, e 2006 (Alemanha) pelo Diário Lance!, onde foi editor-executivo. Sete anos como comentarista e editor-executivo na ESPN Brasil, tendo participado da cobertura da Copa do Brasil (2014) e da Olimpíada do Rio-2016 pelo canal.

Papo com Tironi

Cruzeiro é uma empresa. Com ônus e bônus

Por Eduardo Tironi 07/01/2022 • 08:29 - Atualizado em 07/01/2022 • 08:31
Ídolo da Raposa, Fábio não teve o contrato renovado após troca na gestão
Ídolo da Raposa, Fábio não teve o contrato renovado após troca na gestão
Instagram/Fábio

"Ronaldo gordão, vem dar satisfação!" Desta maneira a torcida do Cruzeiro protestou nesta quinta-feira em frente ao CT do clube em Belo Horizonte. A bronca é porque o contrato do lendário goleiro Fábio não foi renovado.

Fábio teria aceitado o teto salarial do clube para seguir por um tempo mais longo. O Cruzeiro teria feito a contraproposta de um contrato curto, de menos de um ano. O goleiro não topou e foi dispensado. O fato de o atleta ter cerca de R$ 10 milhões a receber por dívidas com o clube associativo influenciou na decisão da empresa. Agora, o goleiro entrará na fila para receber o que lhe devem.

É discutível o tratamento frio dado a um ídolo tão histórico do clube (são quase mil jogos defendendo as cores da Raposa). Mas atenção, empresas são assim. Donos de empresas são assim: o negócio em primeiro lugar. É isso o que os torcedores do clube vão ter de entender, nem que seja na marra. A transformação do clube em uma empresa não é sinônimo de "vai entrar uma grana e vamos poder fazer tudo". É bem mais que isso e no caso do Cruzeiro, falido, significa cortar na carne e deixar corpos pelo caminho. Mesmo de figuras como Fábio.

No caso de Ronaldo, muito prazer, assim é o futebol brasileiro e assim agem torcidas. Não importa se a conta não fecha, elas vão protestar quando acharem que uma decisão não é boa, sobretudo uma que mexe com um ídolo do clube.

O protesto na porta do CT é o batismo definitivo do clube no modo empresa. A torcida descobriu que donos de empresas olham planilhas e ao menor sinal de perda financeira não dão passos maiores do que a perna. Ronaldo sentiu pela primeira vez como é ser cartola no Brasil.

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