Eduardo Tironi

Jornalista há 28 anos, a maioria deles dedicados ao esporte, cobriu as Copas do Mundo de 1998 (França), pelo Notícias Populares, e 2006 (Alemanha) pelo Diário Lance!, onde foi editor-executivo. Sete anos como comentarista e editor-executivo na ESPN Brasil, tendo participado da cobertura da Copa do Brasil (2014) e da Olimpíada do Rio-2016 pelo canal.

Papo com Tironi

Flamengo flerta com o governo, não peita de verdade a CBF e fica sem centroavante

Por Eduardo Tironi 11/06/2021 • 12:46
Gabriel vai participar da Copa América com a Seleção e desfalca o Flamengo
Gabriel vai participar da Copa América com a Seleção e desfalca o Flamengo
Reprodução/Instagram Gabriel Barbosa

O Flamengo passou os últimos anos se reestruturando financeiramente. O prêmio pelo esforço é ter hoje o time mais forte do Brasil. É poder se dar ao luxo de ter Gabigol como centroavante titular e Pedro como seu reserva imediato. Em qualquer outra equipe da Série A do País, o suplente rubro-negro seria titular. Sem nenhuma dúvida.

Pois o "troféu" que o Flamengo recebe por seu esforço é o de ter os seus dois atacantes convocados para seleções brasileiras, a principal e a olímpica. Nesta quinta-feira, o Rubro-Negro enfrentou o Coritiba desfalcado desses e de outros jogadores, emprestados a outras seleções da América do Sul.

A cereja no bolo: a convocação de Gabriel Barbosa ainda causou ruído entre o jogador e a diretoria rubro-negra. Isso porque ele voltou machucado da Seleção. Deveria se reapresentar ao clube, mas em vez disso ficou em São Paulo fazendo tratamento e se preparando para a Copa América.

Em outras palavras: a Seleção não só desfalca o clube de dois de seus atacantes, como um deles se machuca e não atende a uma ordem da instituição.

Com a força que conseguiu nos últimos anos graças à sua reestruturação financeira, o Flamengo poderia liderar uma revolução dos clubes. Mas este passo jamais foi dado na história e nem agora. No máximo, um estremecimento da relação, como acontece agora.

Por outro lado, dirigentes do Rubro-Negro se aproximam e afagam o governo federal. A última veio do vice-presidente de relações externas Luiz Eduardo Baptista, o Bap. Ele defendeu a volta do público aos estádios em um País que se aproxima de 500 mil mortos pela covid-19.

A realização da Copa América no Brasil foi um arranjo político do governo Bolsonaro com a CBF. Esta competição vai tirar Gabigol do Fla por mais um tempo.

Ao afagar o governo e não peitar de verdade a CBF, o Flamengo vai colhendo o que planta.

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