Eduardo Tironi

Jornalista há 28 anos, a maioria deles dedicados ao esporte, cobriu as Copas do Mundo de 1998 (França), pelo Notícias Populares, e 2006 (Alemanha) pelo Diário Lance!, onde foi editor-executivo. Sete anos como comentarista e editor-executivo na ESPN Brasil, tendo participado da cobertura da Copa do Brasil (2014) e da Olimpíada do Rio-2016 pelo canal.

Papo com Tironi

Gol anulado de CR7 não vale de argumento para quem defende o VAR

Por Eduardo Tironi 29/03/2021 • 09:02
Mais do que soluções, o VAR tem trazido muitos questionamentos no Brasil
Mais do que soluções, o VAR tem trazido muitos questionamentos no Brasil
Divulgação/CBF

Sérvia e Portugal empataram por 2 a 2 em jogo válido pelas eliminatórias europeias da Copa do Mundo de 2022. No último momento da partida, Cristiano Ronaldo fez o que seria o gol da vitória portuguesa.

Ele chuta a bola na saída do goleiro, ela entra mansamente no gol e um zagueiro tira de carrinho. A bola aparentemente passa da linha, mas o árbitro não assinala. O detalhe: na competição não há VAR.

O lance provocou reações dos defensores da utilização da tecnologia para auxiliar a arbitragem em partidas de futebol. "E tem gente que é contra o VAR!" muitos postaram nas redes sociais.

De fato, este é um lance que o auxílio eletrônico teria resolvido instantaneamente a questão. Um chip é colocado na bola e o árbitro usa um relógio conectado a ele. Se a bola passa a linha, o relógio avisa. Gol. Sem reclamação nem contestações.

Mas esta é a parte mais fácil do auxílio eletrônico por se tratar de uma questão objetiva. Ou a bola entrou ou não entrou. Além de ser a de implementação mais simples, já que a tecnologia é bem precisa.

No Brasil, porém, a tecnologia incrivelmente falha mais do que o razoável. E aí que entra a crítica ao VAR. Apenas no último Brasileiro tivemos gol em posição legal mal anulado por conta das tais linhas traçadas, com precisão baixa. Além de lance ocorrido em um ponto cego, ou seja, sem registro de câmera. Falhas tecnológicas do VAR e arbitragens ruins levaram uma partida para o tapetão.

E se a tecnologia funciona bem, temos lances interpretativos mal interpretados por quem opera o VAR, como por exemplo expulsão ou não expulsão em jogadas muito semelhantes de acordo com o que pensa árbitro em conjunto com a turma do VAR.

O lance de Cristiano Ronaldo não é um bom exemplo para justificar a utilização do VAR. Porque ele é o mais simples e objetivo. O problema do VAR está em outros vários lances. É neles que temos de mirar para que melhorem, para que a necessária e bem-vinda tecnologia seja bem aceita.

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