Eduardo Tironi

Jornalista há 28 anos, a maioria deles dedicados ao esporte, cobriu as Copas do Mundo de 1998 (França), pelo Notícias Populares, e 2006 (Alemanha) pelo Diário Lance!, onde foi editor-executivo. Sete anos como comentarista e editor-executivo na ESPN Brasil, tendo participado da cobertura da Copa do Brasil (2014) e da Olimpíada do Rio-2016 pelo canal.

Papo com Tironi

Jogadores que brilharam na Europa são corrompidos pela várzea brasileira

Por Eduardo Tironi 01/08/2022 • 10:57
Agora no Athletico, Fernandinho brilhou no Manchester City de Pep Guardiola
Agora no Athletico, Fernandinho brilhou no Manchester City de Pep Guardiola
Twitter/Athletico-PR

Fernandinho brilhou em seus muitos anos no futebol inglês. Foi um enorme jogador no City multicampeão de Guardiola. O jogador que entrou em campo semana passada pelo Athletico-PR para enfrentar o Flamengo na Copa do Brasil parecia outra figura. Catimbeiro, às vezes violento… 

Tudo o que foi escrito acima vale para outros jogadores de trajetória muito vitoriosa na Europa. Como David Luiz, por exemplo. Expulso de campo depois de soltar um palavrão ao árbitro, nem parecia o zagueiro que brilhou pelo Chelsea na Premier League.

O são-paulino Rafinha, catimbeiro, malandro e que contesta a arbitragem o tempo todo não parece ser o mesmo jogador de sucesso no Bayern de Munique.

Afinal, o que acontece? Por que os jogadores com experiência sólida na Europa desembarcam no Brasil e rapidamente absorvem os mesmos vícios irritantes dos atletas que atuam por aqui? Não deveriam chegar como grandes exemplos em vez de serem corrompidos pela várzea nacional?

Quando um brasileiro qualquer (não necessariamente atleta de futebol) desembarca na Europa de férias ele também se transforma: usa transporte público e acha legal, nunca joga papel no chão, não fura a fila, respeita regras… vira um outro cidadão. Quando volta pra cá só anda de carro, suja a rua e, se puder, dá um jeito de tirar vantagem ilícita nas pequenas coisas da vida (às vezes nas grandes também).

Fato é que o ambiente ruim contamina o indivíduo. E assim funciona no futebol brasileiro. Arbitragens péssimas, falta de educação e outras mazelas do nosso jogo atingem a todos. E os educados jogadores que viveram experiências de respeito ao jogo na Europa, voltam rapidamente ao regime do cada um por si.

Será que se os árbitros nacionais forem para a Europa se tornarão melhores? Aí já é pedir demais.

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