Eduardo Tironi

Jornalista há 28 anos, a maioria deles dedicados ao esporte, cobriu as Copas do Mundo de 1998 (França), pelo Notícias Populares, e 2006 (Alemanha) pelo Diário Lance!, onde foi editor-executivo. Sete anos como comentarista e editor-executivo na ESPN Brasil, tendo participado da cobertura da Copa do Brasil (2014) e da Olimpíada do Rio-2016 pelo canal.

Papo com Tironi

Jogadores se manifestaram. Apenas por seus interesses

Por Eduardo Tironi 04/06/2021 • 15:22
Atletas da Seleção que atuam na Europa estariam encabeçando movimento contra a realização da Copa América
Atletas da Seleção que atuam na Europa estariam encabeçando movimento contra a realização da Copa América
Lucas Figueiredo/CBF

Enfim, os atletas brasileiros se posicionaram. E ao que tudo indica não querem participar da Copa América que será disputada no país a partir de 13 de junho.

A coletiva de Tite atrasou em algumas horas nesta quinta-feira. O motivo, exatamente este: jogadores e comissão técnica da Seleção queriam uma conversa com o presidente da CBF, Rogério Caboclo, para avisar que não estão dispostos a entrar em campo pelo torneio continental, que foi abraçado às pressas pelo Brasil após as desistências de Colômbia e Argentina.

Focado no jogo desta sexta-feira pelas eliminatórias da Copa contra o Equador, Tite não quis anunciar qual a posição do grupo, mas a aposta é a de não jogar a Copa América.

Há muito se cobra posicionamentos de atletas de futebol, normalmente alheios ao que acontece fora de campo e fora de sua conta bancária. Apenas nesta era pandêmica já se presenciou todo tipo de aberração sem nem sequer uma palavra dos astros do espetáculo: jogos dia sim dia não, time atuando sob nuvem de gás lacrimogêneo, surto de covid em vários elencos.... para tudo isso, o silêncio.

Agora, parece que a coisa mudou. Atletas que atuam na Europa estariam encabeçando o movimento contra a realização da Copa América (ou, para ser mais exatos, contra a presença deles na competição).

Não se deve valorizar mais a posição dos jogadores do que a realidade. Esqueça qualquer viés político ou social. Trata-se de um movimento de alguns atletas e da comissão técnica da Seleção contra o perigo de eles disputarem a competição no meio de uma pandemia em um dos países que ela está mais descontrolada no mundo.

É auto-preservação e que só poderia ser obra de quem tem tamanho para fazer isso sem grandes riscos de punição ou boicote.

Mas ao menos é um posicionamento. Já é alguma coisa.

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