Eduardo Tironi

Jornalista há 28 anos, a maioria deles dedicados ao esporte, cobriu as Copas do Mundo de 1998 (França), pelo Notícias Populares, e 2006 (Alemanha) pelo Diário Lance!, onde foi editor-executivo. Sete anos como comentarista e editor-executivo na ESPN Brasil, tendo participado da cobertura da Copa do Brasil (2014) e da Olimpíada do Rio-2016 pelo canal.

Papo com Tironi

Limitar demissão de treinador não fará do cartola um gênio da gestão

Por Eduardo Tironi 26/03/2021 • 11:37
Renato foi um dos poucos técnicos que começaram e terminaram a temporada passada no mesmo time
Renato foi um dos poucos técnicos que começaram e terminaram a temporada passada no mesmo time
Reprodução/Instagram Grêmio

A CBF soltou a bomba na terça-feira. No Campeonato Brasileiro da Série A, os times só poderão trocar de treinador uma vez ou, em outras palavras, poderão ter apenas dois treinadores durante toda a competição. A nova regra tem por objetivo acabar com o troca-troca frenético de professores, uma das chagas do nosso futebol.

Para se ter uma ideia, em 2020 apenas quatro treinadores começaram e terminaram o campeonato no mesmo time. Em 2019 três.

A votação para aprovação da regra foi apertada: 11 clubes votaram a favor e nove votaram contra, o que dá uma boa ideia de que o assunto é polêmico.

A CBF imagina que na canetada vai provocar naturalmente um melhor planejamento de todos os clubes. Ocorre que o comando destes clubes seguem nas mãos da mesma turma de sempre. A mesma que demitiu em massa em 2019 e 2020.

A mesma turma que já conseguiu seguidos perdões do Estado de suas dívidas assombrosas e nunca mudou a forma como trabalha: gasta, gasta, gasta e quando a grana acaba pede socorro para o governo. Assim tem sido ao longo dos últimos muitos anos. As exceções recentes são Palmeiras e Flamengo, não à toa, as agremiações que dominam o cenário atualmente.

Há alguns anos, ficou decidido que clubes que atrasassem salários perderiam pontos no Brasileiro. Alguém sabe de algum time que tenha perdido um mísero ponto por conta disso? O motivo é que é necessário o sindicato ou o atleta denunciar e ninguém nunca fez isso. De qualquer forma, a regra não mudou em um milímetro a gestão da maior parte dos clubes.

A regra do limite de troca dos treinadores tampouco vai melhorar o nível dos nossos treinadores. Afinal, agora mais do que nunca estarão protegidos por uma lei com jeitão de empresa estatal, uma certa "estabilidade" no emprego. Treinadores vão precisar errar muito para serem demitidos.

Todos sabemos que, via de regra, escolhas de treinadores no Brasil são sempre na base da tentativa e erro e uma enorme dose de sorte. Os casos de maior sucesso nos últimos anos seguiram exatamente esta lógica: o Flamengo só teve Jorge Jesus porque o português estava por aqui e queria trabalhar no Brasil. Abel Ferreira não era a primeira opção do Palmeiras após a demissão de Luxemburgo.

Torcedor, reze para que o cartola do seu time acerte. Mesmo que sem querer. Porque esperar que treinadores brasileiros ficarão melhores ou que dirigentes vão se planejar é acreditar no coelhinho da Páscoa.

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