Eduardo Tironi

Jornalista há 28 anos, a maioria deles dedicados ao esporte, cobriu as Copas do Mundo de 1998 (França), pelo Notícias Populares, e 2006 (Alemanha) pelo Diário Lance!, onde foi editor-executivo. Sete anos como comentarista e editor-executivo na ESPN Brasil, tendo participado da cobertura da Copa do Brasil (2014) e da Olimpíada do Rio-2016 pelo canal.

Papo com Tironi

Manifesto dos jogadores da Seleção não explicou nada, mas só decepcionou os otimistas

Por Eduardo Tironi 09/06/2021 • 09:28 - Atualizado em 09/06/2021 • 09:29
Manifesto foi divulgado após vitória sobre o Paraguai pelas Eliminatórias
Manifesto foi divulgado após vitória sobre o Paraguai pelas Eliminatórias
Reprodução/Instagram Neymar

Pela primeira vez na história da Seleção Brasileira um comunicado prometido para depois do jogo foi mais esperado do que o jogo em si.

Em campo, uma partida enfadonha em que o Brasil venceu o Paraguai em Assunção (não fazia isso desde 1985. Ressaltados, portanto, os méritos) e disparou na liderança das eliminatórias sul-americanas.

Sinal que o time de Tite é muito melhor do que os rivais, o que não significa necessariamente que seja bom o suficiente para encarar as maiores seleções do mundo, que estão na Europa. Isso só será possível medir...na Copa do Catar.

Bom, fato é que era esperado um comunicado dos jogadores. E só era esperado porque há alguns dias os atletas não deram entrevistas coletivas e Tite fez declarações dizendo que a posição de todos estava clara e que eles falariam após a partida contra o Paraguai.

De lá até aqui aconteceu de tudo: o senador Flavio Bolsonaro declarou que Tite deveria ser substituído por outro treinador, o vice-presidente Hamilton Mourão disse que o Cuiabá estava precisando de treinador (insinuando Tite). Partidários do presidente Jair Bolsonaro subiram a hashtag #foratite, um delírio relacionando o treinador da Seleção a um viés político de esquerda. O presidente da CBF, Rogério Caboclo, foi suspenso por 30 dias acusado de assédio moral e sexual por uma funcionária da entidade.

O comunicado foi divulgado nas redes sociais ao fim da partida em uníssono pelos jogadores da Seleção. Pode ter decepcionado os mais otimistas, mas não fugiu em quase nada do esperado de atletas de futebol do Brasil, sobretudo os dessa geração. Algo na linha de que vestir a camisa da Seleção é um sonho de cada um e que eles estão incomodados com a realização da Copa América (incomodados com o que? com a pandemia? Com o fato de ser no Brasil? Com as férias canceladas? Não explicaram). Mas que nunca foi uma questão política.

Marquinhos ainda disse que nunca foi cogitada a ideia de não disputar a Copa América. Insinuou que a imprensa (sempre ela) inventou ou mentiu. Mas se nunca se cogitou deixar de disputar a competição, bastaria Tite, Casemiro ou qualquer um vir a público e dizer: "somos contra a realização da Copa América por este, este e aquele motivo, mas vamos disputar sob protesto". Pronto. Evitaria muito do que aconteceu ao longo da semana a partir de um mistério criado pelo próprio elenco e Tite. Evitaria também expectativas frustradas.

No fim, o que ficou da história foi um comunicado frio, que em nenhum momento explica o que todos querem saber: a bronca é contra o que?

Nem Rodrigo Maia faria uma nota de repúdio tão fofinha.

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