Eduardo Tironi

Jornalista há 28 anos, a maioria deles dedicados ao esporte, cobriu as Copas do Mundo de 1998 (França), pelo Notícias Populares, e 2006 (Alemanha) pelo Diário Lance!, onde foi editor-executivo. Sete anos como comentarista e editor-executivo na ESPN Brasil, tendo participado da cobertura da Copa do Brasil (2014) e da Olimpíada do Rio-2016 pelo canal.

Papo com Tironi

Mexer com cores no futebol é delicado. Mas pode ser necessário

Por Eduardo Tironi 16/07/2021 • 08:36
Nova regra do Campeonato Italiano vai afetar o Sassuolo
Nova regra do Campeonato Italiano vai afetar o Sassuolo
Instagram/Sassuolo

Esses dias um colega mandou uma mensagem em um grupo de whatsapp relatando o que ele considerou "um dos dias mais legais da vida". Ele, daltônico, comprou um óculos chamado enchroma, que diminui os efeitos do daltonismo vermelho-verde. E passou a ver o mundo com as cores verdadeiras.

Entre as inúmeras coisas que ele não consegue ver com nitidez são jogadores de camisa verde em campos de futebol. Um outro colega daltônico conta que um atleta em segundo plano de camisa verde fica imperceptível.

Nesta quinta-feira saiu a notícia de que os organizadores do Campeonato Italiano vão proibir, a partir da temporada 2022, que qualquer time utilize camisa verde. Clubes como o Sassuolo e o Venezia terão de mudar suas cores. A norma é para melhorar as transmissões televisivas. A medida não se é por conta da população daltônica, mas indiretamente atinge positivamente este grupo, que corresponderia a 8% da população mundial.

Os protestos nas redes sociais foram imensos: absurdo, preciosismo, tradição jogada no lixo, mimimi, etc.

O futebol é um esporte centenário, que vai atravessando gerações e a duras penas segue apaixonando seres humanos ao redor do mundo. Ainda é o esporte mais popular do planeta, em que pese alguma perda de interesse por parte de gerações mais novas. Mas ainda é o esporte dominante do planeta e um dos entretenimentos mais universais de que se tem conhecimento.

Cada vez mais o futebol e outros esportes terão de se preocupar em atender seus diferentes fãs e suas particularidades. Cada vez mais precisarão ser universais e não discriminatórios. Ainda mais em um tempo em que existem infinidades de outros tipos de passatempo.

Por outro lado, a proibição de determinada cor de camisa acerta em cheio um dos valores mais importantes do torcedor: a sua identidade. A cor diferencia de maneira clara quem sou eu e quem é você neste universo. Tudo isso é saudável e importante.

Portanto, a decisão tomada pelo futebol italiano naturalmente provoca reações. Mexer em tradições tão arraigadas choca.

Mas o futebol tem de saber como lidar com as mudanças do mundo.

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