Eduardo Tironi

Jornalista há 28 anos, a maioria deles dedicados ao esporte, cobriu as Copas do Mundo de 1998 (França), pelo Notícias Populares, e 2006 (Alemanha) pelo Diário Lance!, onde foi editor-executivo. Sete anos como comentarista e editor-executivo na ESPN Brasil, tendo participado da cobertura da Copa do Brasil (2014) e da Olimpíada do Rio-2016 pelo canal.

Papo com Tironi

No futebol, o Santos habita um lugar diferente dos outros clubes

Por Eduardo Tironi 15/01/2021 • 08:21 - Atualizado em 15/01/2021 • 08:23
O Santos pode se tornar o time brasileiro com mais títulos de Libertadores: 4
O Santos pode se tornar o time brasileiro com mais títulos de Libertadores: 4
Reprodução/Instagram Santos

O Santos é um clube improvável. É gigante, mas não está situado em uma capital. Tem torcida menor que a dos seus principais rivais do Estado, mas historicamente faz frente a todos eles. É o clube que contraria a receita de sucesso: não arrecada mais, não é o mais organizado, não tem o elenco mais caro. Nesta temporada nem presidente teve. Mas está lá, como sempre, teimando em desafiar o bom senso.

A própria Vila Belmiro é um palco improvável: encravada no meio de um bairro, nem de longe se assemelha às arenas novas que ostentam chão de mármore, escadas rolantes e monitores de TV no banheiro. Mas o ar que se respira ali é diferente, típico de templos sagrados para quem é religioso.

O Santos deu ao mundo craques do quilate de Neymar, Zito, Clodoaldo, Coutinho, Pepe e, claro, o maior de todos: Pelé.  

O torcedor de verdade de qualquer camisa sabe que não existe dizer que tal time é o representante brasileiro em tal competição. Isso vale para qualquer um. Para o Santos, um pouco menos. Quase todo mundo fala com simpatia e até um certo orgulho sobre o time que nos deu Pelé e tantos outros gênios.

Por tudo isso e um pouco mais, o clube paira em um local diferente quando o assunto é futebol. Como se para o Santos, o jogo em si sempre estivesse acima da competição. Como se o Santos fosse uma eterna homenagem ao esporte que tanta gente ama.

Por ser impossível colocá-lo junto aos adversários é que vira e mexe o clube alcança uma façanha como a que a acaba de conseguir: contrariando todas as previsões quando a competição começou, está na final da Libertadores jogando um futebol envolvente, ofensivo, furioso e letal. O poderoso Boca Juniors foi a última vítima, surrado por 3 a 0 na Vila famosa. A penúltima, o Grêmio de Renato Gaúcho: 4 a 1.

A final contra o Palmeiras em jogo único não tem favorito. E não tem porque o adversário do Verdão é o Santos. Um clube improvável produz times imprevisíveis como este da Vila.

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