Eduardo Tironi

Jornalista há 28 anos, a maioria deles dedicados ao esporte, cobriu as Copas do Mundo de 1998 (França), pelo Notícias Populares, e 2006 (Alemanha) pelo Diário Lance!, onde foi editor-executivo. Sete anos como comentarista e editor-executivo na ESPN Brasil, tendo participado da cobertura da Copa do Brasil (2014) e da Olimpíada do Rio-2016 pelo canal.

Papo com Tironi

O 7 a 1 está tatuado nas nossas almas

Por Eduardo Tironi 09/07/2021 • 10:45
Há sete anos o Brasil vivia o seu maior vexame em Copas do Mundo
Há sete anos o Brasil vivia o seu maior vexame em Copas do Mundo
Reprodução

Alguns acontecimentos são tão impactantes que fazem com que a gente não se esqueça de onde estava quando eles ocorreram. A queda das Torres Gêmeas, por exemplo. No âmbito esportivo, para o brasileiro, o 7 a 1.

A tragédia ocorreu há sete anos (completados nesta quinta-feira), mas ainda é viva na nossa memória. Eu estava na redação da ESPN, onde trabalhava na época. Você também deve saber com quem viu o jogo, como reagiu, o que sentiu, que roupa vestia, se fazia frio ou calor.

Há, porém, uma questão peculiar nesta “tragédia” brasileira. Ela ultrapassou os limites do gramado, do futebol e do esporte. Para se transformar numa forma como passamos a enxergar o país. A expressão que grudou na boca de qualquer brasileiro é a mais clara possível: "o país do 7 a 1".

Somos o país do 7 a 1 todos os dias: quando vemos notícias de políticos roubando, a nossa ineficiência no dia a dia, a Amazônia consumida em chamas, a violência.

A derrota para a Alemanha na semifinal da Copa do Mundo de 2014 escancarou nossa anemia diante de um rival mais poderoso, mais rico, que estudou mais, que trabalhou mais, que planejou e pavimentou melhor o caminho até chegar ao seu objetivo. Foi o dia em que a ginga, o improviso e a criatividade dos brasileiros (algumas de nossas características mais marcantes e positivas) foram esmigalhados. Poderia completar esta frase com um "sem dó nem piedade", mas fato é que a seleção da Alemanha teve, sim, pena do Brasil, senão poderia ter feito ainda mais gols em um Mineirão que assistiu a um pesadelo, mas não acordou dele, porque afinal foi tudo verdade.

De lá pra cá pouca coisa mudou no nosso futebol. Já o Brasil afundou ainda mais em uma crise e entristeceu. O sinal de que a tragédia está tatuada em nossas vidas é a frase: "gol da Alemanha", que soltamos cada vez que o país escancara algumas de suas inúmeras mazelas.

Todo dia tem um 7 a 1.

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