Eduardo Tironi

Jornalista há 28 anos, a maioria deles dedicados ao esporte, cobriu as Copas do Mundo de 1998 (França), pelo Notícias Populares, e 2006 (Alemanha) pelo Diário Lance!, onde foi editor-executivo. Sete anos como comentarista e editor-executivo na ESPN Brasil, tendo participado da cobertura da Copa do Brasil (2014) e da Olimpíada do Rio-2016 pelo canal.

Papo com Tironi

O renascimento de Abelão

Por Eduardo Tironi 18/01/2021 • 07:50 - Atualizado em 18/01/2021 • 07:53
O Internacional de Abel Braga é o time que todos estão de olho
O Internacional de Abel Braga é o time que todos estão de olho
Reprodução/Instagram Internacional/Ricardo Duarte

O Internacional chegou à sua sexta vitória consecutiva no Campeonato Brasileiro e se colocou de vez na briga pelo título nacional. A marca de 18 pontos seguidos em seis partidas não foi alcançada até agora por nenhum outro time na competição. Nem o Galo do badalado Sampaoli nem o São Paulo do "moderno" Fernando Diniz nem o Santos do imprevisível Cuca nem o Palmeiras do português Abel Ferreira. E nem o Grêmio de Renato Gaúcho, que muita gente considera o melhor treinador do Brasil.

Sim, a façanha coube ao "ultrapassado" Abel Braga, dispensado de vários times nos últimos tempos, incapaz de fazer um trabalho mais consistente e que no próprio Inter até outro dia era visto como uma espécie de estepe. Existia a expectativa (não se sabe se ainda existe) da chegada de Miguel Ángel Ramírez assim que a temporada acabasse. O próprio Abel não gostou muito da ideia de guardar lugar para outro treinador e quase foi embora. Ficou e agora o seu Internacional é o time que todos estão de olho, porque está pedindo passagem para assumir a liderança do Brasileiro.

Mas afinal, o que aconteceu? Abel se transformou em um treinador moderno da noite para o dia? Onde estão os estrangeiros ou os novatos estudiosos?

Fato é que vivemos temporada atípica: jogos em sequência, pouco tempo para treinamentos e esquemas de jogo rebuscado. Abel, muito experiente, sabe disso. E armou o Internacional da forma como ele sabe fazer e que até um passado recente funcionou bem: defesa forte, bola parada ofensiva muito bem treinada, jogo com poucos passes e mais lançamentos longos. Nada de saída tocando bola dentro da própria pequena área, nada de grandes inversões de posição, nada de especial.

Pois este jogo simples está se mostrando eficiente nesta temporada nada convencional. O ainda líder São Paulo caminhou no sentido oposto: Diniz faz um jogo rebuscado, nunca abre mão da posse de bola, arrisca saídas de jogo perigosas, joga sempre no limite do erro. Dos últimos nove pontos disputados, conquistou apenas um.

Quarta-feira São Paulo e Internacional se encontrarão no Morumbi. O embate vale a liderança do Brasileiro, mas é mais do que isso: é o confronto entre quem pretende ser moderno e quem nunca pensou nisso.

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