Eduardo Tironi

Jornalista há 28 anos, a maioria deles dedicados ao esporte, cobriu as Copas do Mundo de 1998 (França), pelo Notícias Populares, e 2006 (Alemanha) pelo Diário Lance!, onde foi editor-executivo. Sete anos como comentarista e editor-executivo na ESPN Brasil, tendo participado da cobertura da Copa do Brasil (2014) e da Olimpíada do Rio-2016 pelo canal.

Papo com Tironi

Oito minutos de explicação sobre um vexame é muito pouco

Por Eduardo Tironi 08/01/2021 • 07:48 - Atualizado em 08/01/2021 • 11:06
Diniz deu poucas explicações sobre o desempenho do São Paulo diante do Bragantino
Diniz deu poucas explicações sobre o desempenho do São Paulo diante do Bragantino
Divulgação/São Paulo FC/Rubens Chiri

Foram apenas oito minutos de coletiva de Fernando Diniz após a derrota do São Paulo para o Bragantino quarta-feira. Mais rápido do que isso, apenas o primeiro gol do Massa Bruta, marcado quando o jogo mal tinha começado, aos 3 minutos de bola rolando.

Evidentemente pouco se tirou das respostas curtas de Diniz, visivelmente contrariado com a sova que seu time havia levado.

A maior parte das perguntas ficou concentrada na discussão que o treinador teve com Tchê Tchê em campo e a posterior expulsão do jogador. Mas Diniz tinha muito mais a explicar do que sobre sua relação de amor e ódio com seus comandados, já muito conhecida.

A apatia do time não foi assunto e quando foi perguntado por que o São Paulo jogou tão mal o treinador se limitou a dizer que foram erros técnicos e de posicionamento que provocaram o vexame. Nada sobre como o Bragantino se impôs na partida de uma forma bem diferente do que fez o Grêmio na Copa do Brasil. Se naquela ocasião o time de Renato Portaluppi cozinhou o jogo, abriu mão da posse de bola e fez o São Paulo cair em uma armadilha, desta vez o Braga de Barbieri marcou forte, dentro do campo tricolor, e sufocou qualquer tentativa de jogar do time do Morumbi. Apenas para ilustrar: a partida terminou com o Bragantino tendo feito 26 desarmes contra dez do São Paulo. Dois desses desarmes resultaram diretamente em gols do time de Bragança.

Os clubes de futebol estão cada vez mais fechados. A cobertura da imprensa segue superficial até pela incapacidade de se saber o que acontece dentro do clube. O que está acontecendo no São Paulo neste momento é assunto que o torcedor quer saber. Como houve uma queda de desempenho deste tamanho? Há contrariedades no elenco? Problemas com a nova diretoria?

O mesmo ocorre no Flamengo. Como aquele elenco que ano passado atropelou todo mundo não consegue se acertar?

Apenas com entrevistas coletivas já seria muito difícil chegar a todas as respostas. Mas com oito minutos após um vexame, muito menos.

Há quem defenda esta blindagem. "O que é interno do clube lá deve ficar." Até o dia em que a vaca vai para o brejo de uma vez e aí o torcedor fica sem entender o que aconteceu e se sente enganado.

Em oito minutos não se explica muita coisa.

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