Eduardo Tironi

Jornalista há 28 anos, a maioria deles dedicados ao esporte, cobriu as Copas do Mundo de 1998 (França), pelo Notícias Populares, e 2006 (Alemanha) pelo Diário Lance!, onde foi editor-executivo. Sete anos como comentarista e editor-executivo na ESPN Brasil, tendo participado da cobertura da Copa do Brasil (2014) e da Olimpíada do Rio-2016 pelo canal.

Papo com Tironi

Os caminhos de Alex e Rogério

Por Eduardo Tironi 21/01/2022 • 08:55
Alex vem fazendo bom trabalho no comando do time de base do São Paulo
Alex vem fazendo bom trabalho no comando do time de base do São Paulo
Instagram/ saopaulofc/Rubens Chiri

Um dos gols mais espetaculares da carreira de Alex foi contra o São Paulo. Todo mundo se lembra do meio chapéu no zagueiro na entrada da área e no chapéu seguinte, completo,  sobre Rogério Ceni que saía desesperado. Um toque leve e a bola foi para o fundo da rede na noite de 20 de março de 2002. Era o Torneio Rio-São Paulo.

As carreiras de um e outro seguiram e foram encerradas brilhantemente. Hoje, quis o destino que os dois trabalhassem no mesmo local: o São Paulo Futebol Clube, onde Rogério passou grande parte da sua vida. E que Alex nunca havia vestido a camisa antes.

Ao pendurar as luvas, Rogério imediatamente assumiu o comando do time principal do São Paulo, contrariando o que muita gente dizia: que ele deveria começar na base. A experiência deu errado (injustiças da direção do clube à parte). Depois engrenou: apesar do fracasso no Cruzeiro, Rogério fez excelente trabalho no Fortaleza e foi campeão brasileiro e carioca com o Flamengo. Agora está de volta ao comando do Tricolor.

Alex não quis assumir time principal ao decidir ser treinador. Foi para a base, mas em vez de se abrigar nos clubes pelo qual fez história (Coritiba, Palmeiras ou Cruzeiro) foi para o São Paulo, com quem não tinha nenhuma ligação.

Injusto dizer que Rogério teria a opção de ir para a base de outro gigante. Isso porque o mítico ex-goleiro tricolor tem até hoje grande rejeição nos rivais. Alex nunca teve. Defendeu as camisas que defendeu com suor, honra e talento e manteve portas abertas em todos os lugares.

Agora no São Paulo, diz que se sente como se fosse um menino em início da carreira (no caso, carreira de treinador). Rogério nunca teve a chance de se sentir menino no comando do São Paulo. Como maior ídolo, teve que encarar imediatamente o time principal.

O são-paulino está animado com o trabalho de Alex na base e ainda desconfiado do que Rogério poderá fazer no time principal. Aqui há outra injustiça: não dá para comparar um tipo de trabalho com outro pela natureza e pressão da função.

São dois treinadores em momentos distintos da carreira e com grandes chances de serem muito bons, pela inteligência e entendimento do jogo. Mas os olhares a Alex são mais simpáticos.

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