Eduardo Tironi

Jornalista há 28 anos, a maioria deles dedicados ao esporte, cobriu as Copas do Mundo de 1998 (França), pelo Notícias Populares, e 2006 (Alemanha) pelo Diário Lance!, onde foi editor-executivo. Sete anos como comentarista e editor-executivo na ESPN Brasil, tendo participado da cobertura da Copa do Brasil (2014) e da Olimpíada do Rio-2016 pelo canal.

Papo com Tironi

Os 'professores' e suas aulas de má-educação

Por Eduardo Tironi 12/02/2021 • 08:52
Cuca achou que seria uma boa ideia agarrar uma bola na lateral e atrasar o reinício do jogo em plena final da Libertadores
Cuca achou que seria uma boa ideia agarrar uma bola na lateral e atrasar o reinício do jogo em plena final da Libertadores
Reprodução/Instagram Santos

O futebol em tempos de pandemia nos deu a possibilidade de entrar mais profundamente no campo de jogo. A ausência de torcida possibilitou que sons normalmente abafados surgissem nítidos, como conversas dos jogadores e, principalmente, o comportamento dos "professores" à beira do campo. E a experiência muitas vezes se mostrou deprimente.

Espantoso o que faz a maioria das comissões técnicas durante uma partida: berros alucinados, reclamações completamente exageradas sobre qualquer marcação da arbitragem, encheção de saco com o quarto árbitro, que se tornou uma das figuras mais maltratadas em um campo de futebol. Neste futebol Big Brother em que se vê e ouve tudo, é como se existisse em cada comissão técnica uma Carol Conká disposta a desfilar toda a sua arrogância durante 90 minutos.

Não satisfeitos, alguns decidiram que o papel dos treinadores vai além disso. E se veem no direito de esconder a bola, agarrar jogador adversário, passear livremente fora da área técnica. Renato Portaluppi e Mano Menezes já foram flagrados atrapalhando rivais em cobranças de lateral. Um auxiliar do Ceará deu um toque maroto na bola para evitar que um jogador do São Paulo a pegasse fora de campo. Para Sampaoli, a marca que delimita a área em que ele pode atuar é apenas um risco no chão. Correndo e agitando os braços feito um pinguim tentando levantar voo, o argentino só falta entrar em campo para ajudar na marcação cada vez que a bola passa perto dele.

E Cuca achou que seria uma boa ideia agarrar uma bola na lateral e atrasar o reinício do jogo em plena final da Libertadores. O árbitro, que no caso não era brasileiro, aplicou cartão vermelho. Minutos depois o Palmeiras fez o gol do título.

Tudo em nome da malandragem, de levar vantagem, de ganhar a qualquer custo. O que certamente são lições que um professor de verdade não deveria ensinar.

Ou as arbitragens passam a ser mais rígidas com estes espetáculos de falta de educação ou estes sujeitos param de ser chamados de professores. O que, a rigor, não são.

  • eduardo-tironi
  • app
  • futebol
  • cuca
  • renato gaúcho
  • mano menezes