Eduardo Tironi

Jornalista há 28 anos, a maioria deles dedicados ao esporte, cobriu as Copas do Mundo de 1998 (França), pelo Notícias Populares, e 2006 (Alemanha) pelo Diário Lance!, onde foi editor-executivo. Sete anos como comentarista e editor-executivo na ESPN Brasil, tendo participado da cobertura da Copa do Brasil (2014) e da Olimpíada do Rio-2016 pelo canal.

Papo com Tironi

Perder a Copa América é o menor problema da Seleção

Por Eduardo Tironi 12/07/2021 • 09:16
Seleção está distante de parte da torcida brasileira
Seleção está distante de parte da torcida brasileira
Instagram/Copa América

A derrota do Brasil para a Argentina no Maracanã na final da Copa América não é a pior notícia para a Seleção Brasileira. Há algo que ganha corpo há um tempo que pode ser um golpe bem mais duro no futebol brasileiro. O distanciamento e a desconexão de parte da torcida com o time.

A conquista da Argentina foi seguida de imagens de uma multidão nas ruas de Buenos Aires comemorando o título. Eles estravam carentes, dirão alguns. Mais uma Copa América para o Brasil pouco acrescentaria, dirão outros. De qualquer maneira, mesmo com anos e anos de fracassos sucessivos, a torcida argentina seguiu fiel ao time. Ontem extravasou e tirou o peso de anos e anos de derrotas.

A final da Eurocopa também foi outro bom exemplo. Tirando as cenas condenáveis de sempre dos intragáveis hooligans ingleses, a conexão da torcida com o time foi emocionante. Também vale a ressalva de que se trata de uma seleção que não conquista nada há muito tempo e tem fama de perdedora. Mas não seria mais fácil para um inglês se desconectar deste time e abraçar os milionários clubes ingleses, estes sim, super vencedores? Não foi o que aconteceu.

O Brasil e sua seleção vivem fenômeno diferente. O time de Tite não tem dificuldades de se impor no continente sul-americano (em que pese a derrota isolada do sábado). Mas está cada vez mais fácil encontrar quem simplesmente não se importa, ganhe ou perca.

Sem falar em outro movimento, este muito mais grave: a deliberada torcida contra a Seleção. Virou assunto de jornais, sites e televisão. Parece não se tratar apenas de um capricho de um punhado de torcedores “do contra”.

Sobre esses, Neymar mandou um “vá para o krl...” nas suas redes sociais antes da final contra a Argentina.

Ele, outros jogadores, comissão técnica e sobretudo a CBF deveriam se debruçar sobre este tema com mais carinho. Dizer que é antipatriótico (além de ser uma bobagem colossal porque isso não tem nada a ver com patriotismo) não ajuda a entender porque a Seleção é cada vez menos relevante para pelo menos uma parte do torcedor brasileiro.

  • eduardo-tironi
  • seleção
  • copa américa
  • futebol
  • brasil
  • esportes
  • app