Eduardo Tironi

Jornalista há 28 anos, a maioria deles dedicados ao esporte, cobriu as Copas do Mundo de 1998 (França), pelo Notícias Populares, e 2006 (Alemanha) pelo Diário Lance!, onde foi editor-executivo. Sete anos como comentarista e editor-executivo na ESPN Brasil, tendo participado da cobertura da Copa do Brasil (2014) e da Olimpíada do Rio-2016 pelo canal.

Papo com Tironi

Rogério não foi ídolo no seu reencontro com a torcida do São Paulo

Por Eduardo Tironi 15/10/2021 • 08:59
Ceni reestreou no comando do Tricolor com empate por 1 a 1 diante do Ceará
Ceni reestreou no comando do Tricolor com empate por 1 a 1 diante do Ceará
Divulgação/São Paulo FC

Rogério Ceni passou 25 anos da sua vida no São Paulo. Neste período, morou debaixo da arquibancada do Morumbi e chegou até a glória absoluta, os títulos brasileiros, da Libertadores e mundial.

Nesta quinta-feira ele voltou ao estádio e, incrivelmente, foi a vez em que ele menos esteve na condição de ídolo. Quando entrou em campo não ouviu seu nome gritado, mas ouviu o de seu antecessor. A torcida por alguns minutos berrou "Crespo", o argentino demitido um dia antes e substituído horas depois por Rogério.

No estádio, ao longo do jogo, a torcida não deixou de apoiar e empurrar o time um minuto sequer. Eram nove mil são-paulinos clamando por uma vitória que, mais uma vez não veio. E Ceni estava lá, à beira do campo, como mais um e não como o principal e maior nome entre todos que estavam no gramado.

Na entrevista coletiva ao final da partida, um dos maiores ídolos da história do clube teve de responder sobre suas declarações de quase um ano atrás, quando incensou a torcida do Flamengo (então seu time). Muito pouco sobre o reencontro com a massa que o batizou de mito.

Porque Ceni deixou parte da sua condição de mito quando decidiu treinar o Fla, onde levantou taças, mas nunca foi abraçado pela torcida rubro-negra.

A torcida que ainda pode abraçar Rogério é a do São Paulo. A mágoa tende a passar e este processo pode ser mais veloz se o time aprumar.

O jogo contra o Ceará não teve vitória e a agonia da torcida permanece. Mas houve bom futebol em boa parte do tempo: chances claras de gol, duas bolas na trave e um time que produziu mais ofensivamente do que o de Crespo.

Ceni terá de reconquistar uma torcida que está magoada e de certa forma se sentindo ainda traída. Mas pela primeira impressão ele pode quebrar este gelo.

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