Eduardo Tironi

Jornalista há 28 anos, a maioria deles dedicados ao esporte, cobriu as Copas do Mundo de 1998 (França), pelo Notícias Populares, e 2006 (Alemanha) pelo Diário Lance!, onde foi editor-executivo. Sete anos como comentarista e editor-executivo na ESPN Brasil, tendo participado da cobertura da Copa do Brasil (2014) e da Olimpíada do Rio-2016 pelo canal.

Papo com Tironi

São Paulo entrará em caminho perigoso sem Ceni

Por Eduardo Tironi 22/06/2022 • 09:32
Após derrota para o Palmeiras, Rogério volta a sentir um pouco de pressão
Após derrota para o Palmeiras, Rogério volta a sentir um pouco de pressão
Instagram/São Paulo

A duríssima derrota do São Paulo para o Palmeiras segunda-feira no Morumbi empurrou Rogério Ceni um pouco mais para perto do abismo.

Não que de dentro do clube tenha alguma indicação de que ele será substituído, mas muitos torcedores nas redes sociais querem sua saída. Após o apito final do árbitro no 2 a 1 de segunda-feira, alguns gritos tímidos de "burro" foram ouvidos no Morumbi.

Cartolas normalmente tentam demonstrar que são imunes à pressão da arquibancada e das redes sociais, mas não são. Outro dia mesmo o Corinthians demitiu Sylvinho e o presidente Duílio Monteiro Alves admitiu que a saída foi por exigência do torcedor.

A questão é que o São Paulo entrará em terreno pantanoso se abrir mão de Rogério Ceni neste momento. E não é pela pergunta que sempre surge: "se ele sair, vem quem?" Treinador se arruma em qualquer lugar. Muita gente fora do mercado toparia treinar o São Paulo, mesmo no momento terrível que vive. Afinal, é um gigante do futebol brasileiro.

A questão é outra. Por mais que muitos torcedores digam que não, Rogério é, entre os treinadores brasileiros, o mais promissor. Erra como todos erram. Mas é trabalhador, estudioso e obcecado. Não por acaso, três características que o brasileiro médio tem aversão, preferindo os espertos e oportunistas.

Além disso, torce pelo clube. Suas entrevistas deprimidas após derrotas indicam claramente isso, ainda que muitas vezes sejam quase sincericídios.

E o mais importante: conhece e tem tamanho para mexer em estruturas corroídas. Reclamou da piscina vazia, da fisioterapia que trabalhava em meio período, do médico que saiu de campo pelo lado errado e deu um gol ao adversário.

Esqueçam SAF e outras soluções incertas. O São Paulo precisa de continuidade e trabalho duro. A segunda coisa Ceni pode dar. A primeira, quem tem de oferecer é o clube.

Como fez em 1990, depois que Telê, em seus primeiros meses no São Paulo, perdeu um título brasileiro para o Corinthians, na ocasião um time mais fraco. Deu no que deu.

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