Eduardo Tironi

Jornalista há 28 anos, a maioria deles dedicados ao esporte, cobriu as Copas do Mundo de 1998 (França), pelo Notícias Populares, e 2006 (Alemanha) pelo Diário Lance!, onde foi editor-executivo. Sete anos como comentarista e editor-executivo na ESPN Brasil, tendo participado da cobertura da Copa do Brasil (2014) e da Olimpíada do Rio-2016 pelo canal.

Papo com Tironi

Se não melhorar, VAR cairá em descrédito irreparável

Por Eduardo Tironi 15/02/2021 • 08:03 - Atualizado em 15/02/2021 • 08:40
Tecnologia foi apresentada como a ferramente que acabaria com as injustiças no futebol
Tecnologia foi apresentada como a ferramente que acabaria com as injustiças no futebol
Divulgação/CBF/Fernando Torres

O Campeonato Brasileiro de 2020 está marcado pela covid-19 e pelo VAR. Claro que o que tem acontecido em campo como a campanha incrível do Internacional de Abel Braga, a recuperação do Flamengo de Rogério Ceni e a queda vertiginosa do São Paulo serão lembrados. Mas pouca coisa ao longo de 38 rodadas foi tão presente como os efeitos da pandemia e a participação do VAR.

A rodada do fim de semana acabou sendo simbólica neste sentido. Nos jogos dos dois times que disputam o título houve participação da ferramenta.

No Maracanã, o segundo gol do Flamengo foi validado após indicação do VAR. Gabriel Barbosa estaria impedido, mas a linha traçada pelo computador indicou que ele estava em posição legal. Um milímetro aqui, outro milímetro ali e a verdade é que o lance segue inconclusivo. Tudo depende do ângulo que se enxerga. Cabe ao torcedor acreditar no olho clínico dos apitadores que riscam a linha. O problema é que o próprio chefe da comissão da arbitragem já declarou que o recurso é feito por um humano e passível de erro, como ele mesmo admitiu em partida do São Paulo contra o Galo em Belo Horizonte. Na ocasião, um gol de Luciano foi anulado, mas o atacante estava em posição legal.

A poucos quilômetros dali, em São Januário, o VAR simplesmente não funcionou no lance do primeiro gol do Internacional. Havia uma suspeita de impedimento. Como a ferramenta não participou do lance, o gol foi validado, para desespero dos vascaínos.

Em rodada recente, Marcelo Lomba, do Inter, abandonou uma jogada acreditando que em cruzamento na área a bola teria passado por fora da linha de fundo. O jogo seguiu e o Sport fez gol. E o VAR? Não tinha imagem para ajudar na decisão.

Os exemplos são vários: ponto cego em jogo do Palmeiras, falta de câmera em gol na vitória do São Paulo contra o Goiás…

O VAR foi apresentado para a comunidade do futebol como a ferramenta que eliminaria injustiças. A tecnologia, precisa, corrigiria erros que o olho humano não é capaz de enxergar.

A prática ainda é bem diferente e este Brasileiro mostra bem isso.

Quem escreve esta coluna é um defensor do VAR. Mas é necessário melhorar muito, sob pena de cair em descrédito irreparável.

  • eduardo-tironi
  • app
  • futebol
  • var
  • brasileirão