Eduardo Tironi

Jornalista há 28 anos, a maioria deles dedicados ao esporte, cobriu as Copas do Mundo de 1998 (França), pelo Notícias Populares, e 2006 (Alemanha) pelo Diário Lance!, onde foi editor-executivo. Sete anos como comentarista e editor-executivo na ESPN Brasil, tendo participado da cobertura da Copa do Brasil (2014) e da Olimpíada do Rio-2016 pelo canal.

Papo com Tironi

Seleção de 82 é meu grande amor

Por Eduardo Tironi 06/07/2022 • 09:24
Mesmo sem ser campeã, seleção de 82 encantou o mundo com seu futebol
Mesmo sem ser campeã, seleção de 82 encantou o mundo com seu futebol
Divulgação

Há 40 anos o futebol brasileiro vivia uma de suas maiores tristezas, a eliminação do Brasil pela Itália na Copa de 82, que acabou batizada de Tragédia do Sarriá. Foi no dia 5 de julho daquele ano.

Nesta terça-feira muito se falou da data, de como a seleção da Itália era boa, de como o Brasil era ótimo, mas falhou no jogo decisivo, que terminou 3 a 2 para os italianos. Todas as teorias possíveis para aquela derrota já foram levantadas e debatidas ao longo dos últimos 40 anos.

Livros estão sendo lançados com mais teses, informações e análises sobre o dia 5 de julho de 1982. Isso é muito bom! Quanto mais informação, melhor, sempre.

Já li muito a respeito daquele time de 82, do time da Itália e sobre a Copa. Mais do que ler, eu mergulhei naquele momento. Eu vivia o vigor dos meus dez anos de idade. Aquela Copa do Mundo e particularmente aquela seleção foram a fagulha que faltava para eu me apaixonar de vez pelo futebol. Eu já gostava muito, mas ali foi a experiência final que me fisgou de vez.

Por isso que nunca é demais lembrar e debater aquele time. Porém, todas as minhas análises ainda guardam um pouco da minha infância e pré-adolescência. A cabeçada do Oscar parece que ainda vai entrar no gol. Ainda dá para imaginar que Paolo Rossi estava impedido no terceiro gol ou que Toninho Cerezo não atravessaria perigosamente a bola para o meio na entrada da área.

Waldir Perez, Leandro, Oscar, Luizinho, Júnior, Cerezo, Falcão, Sócrates, Zico, Serginho e Eder serão eternamente os Beatles do futebol nesta minha cabeça adolescente que insiste em ressurgir toda vez que lembro daquele time. Pareço até sentir o cheiro do chiclete Ping Pong, que lançou naquele ano um álbum de figurinhas que virou uma febre nacional.

Me deem todas as teorias sobre porque o Brasil perdeu aquele jogo. Adoro todas. Mas nada me tira o sentimento mágico um pouco infantil e um pouco adolescente de ver aqueles caras em campo. A Seleção de 82, que me deu a mais forte tristeza esportiva da vida, também é meu grande amor.

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