Eduardo Tironi

Jornalista há 28 anos, a maioria deles dedicados ao esporte, cobriu as Copas do Mundo de 1998 (França), pelo Notícias Populares, e 2006 (Alemanha) pelo Diário Lance!, onde foi editor-executivo. Sete anos como comentarista e editor-executivo na ESPN Brasil, tendo participado da cobertura da Copa do Brasil (2014) e da Olimpíada do Rio-2016 pelo canal.

Papo com Tironi

Sem revolução, Abel Ferreira mudou o Palmeiras

Por Eduardo Tironi 06/01/2021 • 10:27
Abel mostrou contra o River que o segredo do sucesso é encarar cada jogo de forma específica
Abel mostrou contra o River que o segredo do sucesso é encarar cada jogo de forma específica
Sem revolução, Abel Ferreira mudou o Palmeiras

Poucas semanas antes de ser demitido, Vanderlei Luxemburgo disse em uma entrevista coletiva que o elenco do Palmeiras não permitia nada muito diferente do que vinha apresentando até então. Leia-se: um futebol forte defensivamente, mas burocrático e extremamente inofensivo do meio para frente.

Luxa caiu, e em seguida Abel Ferreira assumiu o time (depois de um breve intervalo com o auxiliar Cebola no comando). E o Palmeiras se transformou. Não foi uma revolução, mas o nível de eficiência disparou, a equipe passou a ser mais veloz, mais letal. Resultado: o Palmeiras é o único time do Brasil ainda vivo nas três principais competições que disputa. Brasileiro, Libertadores e Copa do Brasil.

O melhor momento de Abel Ferreira aconteceu nesta terça-feira na Argentina, vitória categórica sobre o River Plate por 3 a 0, resultado que praticamente coloca o Verdão na final da Libertadores.

Não foi uma vitória qualquer: o Palmeiras amassou o time que nos últimos anos vem dando as cartas no futebol sul-americano e que era favorito no confronto.

E como construiu a vitória? Fazendo um futebol revolucionário? Não, mas sabendo com maestria o que tirar do elenco que possui e sabendo com muita clareza que tipo de jogo o River jogaria.

Para se fazer um bom trabalho não é necessário inventar a roda nem assinar uma forma de jogar muito autoral. Abel Ferreira mostrou contra o River que o segredo do sucesso é encarar cada jogo de forma específica. Neste caso, a ideia foi deixar a bola para o rival e apostar na velocidade. Deu certo.

Sabendo exatamente o que o adversário apresentaria, o Santos sapecou 4 a 1 no Grêmio na Libertadores e da mesma forma o próprio Grêmio eliminou o São Paulo da Copa do Brasil.

Luxemburgo dizia que o elenco atual do Palmeiras não poderia mostrar muito mais do que mostrava porque a expectativa era a de revolucionar o tipo de jogo. Abel deixou as coisas claras: a "revolução" está na sabedoria de entender o elenco que possui e entender o rival que será enfrentado a cada jogo.

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