Eduardo Tironi

Jornalista há 28 anos, a maioria deles dedicados ao esporte, cobriu as Copas do Mundo de 1998 (França), pelo Notícias Populares, e 2006 (Alemanha) pelo Diário Lance!, onde foi editor-executivo. Sete anos como comentarista e editor-executivo na ESPN Brasil, tendo participado da cobertura da Copa do Brasil (2014) e da Olimpíada do Rio-2016 pelo canal.

Papo com Tironi

Superliga quebra um elo que não pode ser rompido no futebol

Por Eduardo Tironi 21/04/2021 • 10:39
Segregar eternamente grandes e pequenos quebra o elo que faz do futebol ser o que ele é
Segregar eternamente grandes e pequenos quebra o elo que faz do futebol ser o que ele é
Pixabay/PIRO4D

A Superliga Europeia que pretende criar um clube restrito de ricaços ameaça quebrar um elo que faz com que o futebol seja o esporte mais popular do planeta.

Como todo mundo sabe, a magia do futebol é o sonho que qualquer um tem o direito de ter de vencer alguém mais poderoso do que você. E este sonho pode se tornar realidade, algo raríssimo de acontecer em qualquer outra modalidade. Este é o tal elo que une o futebol em todas as suas pontas. Se o fraco não tem mais nem a possibilidade de enfrentar o poderoso, o elo está rompido.

A Superliga é um baile privé em que quem está dentro já foi escolhido por razões nem todas esportivas e este clube terá o privilégio de sempre estar dentro. Ao passo que quem está fora não vai entrar.

Ninguém cai, ninguém sobe e está criado um campeonato de videogame da vida real. Só falta desligar a TV quando seu time toma um gol e começar o jogo de novo.

O que parece que os elitistas iluminados não perceberam é que a ideia ia pegar mal, ainda mais em um tempo em que desigualdades estão expostas na nossa cara todos os dias.

Até os torcedores dos clubes de membros do clube privé foram contra a ideia, que pode estar com seus dias contados. O tempo dirá.

Fato é que a notícia que veio da Europa coloca luz em uma realidade nacional, mas em escala menor (financeira principalmente). Aqui os ricos têm ficado cada vez mais ricos, os pobres vão colhendo migalhas.

Há muitos anos eu simplesmente não suporto campeonatos estaduais. Não via sentido em colocar elencos milionários dos grandes para medir forças com nanicos quase amadores. A tal da Superliga me fez refletir. Segregar eternamente grandes e pequenos quebra o elo que faz do futebol ser o que ele é.

Claro que os estaduais ainda não fazem sentido da forma como são.

Campeonatos longos, clubes grandes gastando boa parte de sua preciosa temporada com jogos inúteis. Mas extinguir me parece equivocado. Deem ao menos a chance de os pequenos mais bem colocados em fases preliminares de um estadual encontrarem os grandes em fases avançadas, rápidas.

O elo não pode ser quebrado.

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