Eduardo Tironi

Jornalista há 28 anos, a maioria deles dedicados ao esporte, cobriu as Copas do Mundo de 1998 (França), pelo Notícias Populares, e 2006 (Alemanha) pelo Diário Lance!, onde foi editor-executivo. Sete anos como comentarista e editor-executivo na ESPN Brasil, tendo participado da cobertura da Copa do Brasil (2014) e da Olimpíada do Rio-2016 pelo canal.

Papo com Tironi

Susto de Eriksen transformou mundo mágico do esporte em mundo real

Por Eduardo Tironi 14/06/2021 • 09:28
Meia da Dinamarca sofreu um mal súbito na estreia da Eurocopa
Meia da Dinamarca sofreu um mal súbito na estreia da Eurocopa
Twitter/Uefa Euro 2020

Faltava pouco para o fim do primeiro tempo de Dinamarca x Finlândia, jogo válido pela Eurocopa, quando o dinamarquês Eriksen desabou em campo desacordado sem ter sofrido falta ou por qualquer outro motivo aparente.

As imagens mostradas em seguida e pelos próximos onze minutos e 14 segundos (tempo que demorou o atendimento do jogador em campo) foram daquelas coisas transformadoras. O atleta forte, o excelente meio-campista da Inter de Milão, o ídolo de muitos torcedores ou o herói de muitas crianças estava lá caído como um mortal qualquer. E sua "morte" era transmitida ao vivo para o mundo inteiro.

Teve análise apressada, desespero e a imagem talvez mais angustiante, a da esposa do jogador, Sabrina, que estava no estádio e se desesperou ao ver a reação dos companheiros de time em campo.

Quando um acontecimento extremo como este acontece, a magia do esporte e de uma competição impecável como é a Eurocopa se esvai em segundos. Ali não havia mais seleções de alto nível com uniformes ultra tecnológicos, não havia estádio de primeiro mundo e gramado regado por computador. Havia um homem provavelmente morrendo aos olhos do mundo inteiro.

Nesses tempos de comunicação ultra rápida até mesmo quem não assistia a partida sofreu junto com as mensagens de whatsapp, com as imagens compartilhadas, com as redes sociais.

E o alívio quando surgiu a primeira foto que mostrava Eriksen acordado na maca com a mão na cabeça (e vivo!) é daquele tipo de alívio que te derruba no sofá até toda a tensão ser dissipada.

Com a notícia de que Eriksen estava vivo e, na medida do possível bem, as coisas foram acalmando. Acalmando tanto a ponto de a bola voltar a rolar. A Finlândia venceu por 1 a 0.

Se o evento com Eriksen transforma o herói em humano e tudo a seu redor, o recomeço do jogo nos faz lembrar que, aconteça o que acontecer, o show deve continuar. São muitos contratos de patrocínio, muita coisa envolvida e a roda precisa girar. Todos voltam a ser humanos. Da pior forma possível.

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