Eduardo Tironi

Jornalista há 28 anos, a maioria deles dedicados ao esporte, cobriu as Copas do Mundo de 1998 (França), pelo Notícias Populares, e 2006 (Alemanha) pelo Diário Lance!, onde foi editor-executivo. Sete anos como comentarista e editor-executivo na ESPN Brasil, tendo participado da cobertura da Copa do Brasil (2014) e da Olimpíada do Rio-2016 pelo canal.

Papo com Tironi

Treinadores, falem agora ou calem-se para sempre

Por Eduardo Tironi 14/01/2022 • 11:25
Competições vão começar pelo Brasil nos próximos dias
Competições vão começar pelo Brasil nos próximos dias
Pixabay

A temporada do futebol brasileiro vai começar. Times já estão em treinamento, preparação física fazendo o planejamento, cartolas ainda atrás de reforços e treinadores calçando o tênis e colocando o apito no pescoço.

E esta é a hora de os professores falarem. Antes de a bola rolar. Todo clube deveria programar uma entrevista coletiva longa de seus técnicos para eles abrirem o coração sobre as perspectivas para o ano. O time está com o elenco completo? Os jogadores que você pediu chegaram? Como você pensa em armar sua equipe? O jogador tal será aproveitado? A base vem forte?

Enfim, perguntas não faltam para satisfazer a curiosidade do torcedor antes do início das competições. E esta é uma grande oportunidade para os treinadores deixarem claro em que estágio o time está, o que é possível fazer e, mais importante, se as condições de trabalho que ele exigiu foram atendidas ou, em outra medida, se ele aceita um pacto de construir as coisas ao longo do ano.

Por que tudo isso? Porque já sabemos como a banda toca no futebol brasileiro. Se surgirem os primeiros fracassos, as explicações estão sempre na ponta da língua: "eu queria um jogador assim, assim, mas não conseguimos contratar". "Para a maneira como eu penso futebol, era necessário ter isso e isso, mas não conseguimos viabilizar". "O calendário brasileiro, com muitos jogos, impede que o time se
desenvolva". "A convocação da seleção atrapalhou"... e tantas outras.

Treinadores têm razão em algumas de suas críticas, sobretudo a do calendário. Mas o acúmulo de jogos não é surpresa para ninguém, bem como convocações de seleção. Se os professores tivessem a oportunidade de alertar sobre os problemas antes de a bola rolar, poderão falar "eu avisei" lá na frente, caso as coisas não funcionem. Reclamar depois vai parecer choradeira.

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