Eduardo Tironi

Jornalista há 28 anos, a maioria deles dedicados ao esporte, cobriu as Copas do Mundo de 1998 (França), pelo Notícias Populares, e 2006 (Alemanha) pelo Diário Lance!, onde foi editor-executivo. Sete anos como comentarista e editor-executivo na ESPN Brasil, tendo participado da cobertura da Copa do Brasil (2014) e da Olimpíada do Rio-2016 pelo canal.

Papo com Tironi

Trikas, violência e preconceito

Por Eduardo Tironi 24/01/2022 • 10:12
Fim de semana foi marcado pelo assustador episódio da invasão de campo
Fim de semana foi marcado pelo assustador episódio da invasão de campo
Instagram/São Paulo

O fim de semana foi marcado pelo assustador episódio da invasão de campo por dois torcedores são-paulinos que tentariam agredir jogadores palmeirenses nos minutos finais da semifinal da Copa São Paulo em Barueri. A imagem fica ainda mais forte quando uma faca aparece na cena.

Outros relatos também assustadores passaram a surgir em redes sociais de que a Independente, principal torcida organizada do São Paulo, estaria investindo contra quem estivesse no estádio ou em suas redondezas usando brinco, camisas rosa ou de cabelo tingido.

Dois dias antes disso tudo, torcedores rivais do São Paulo gastaram parte de seu tempo para ironizar o que seria o novo apelido do São Paulo: "Trikas", palavra que apareceu na comunicação oficial do clube no Twitter na apresentação de Nikão.

O fio que une os três episódios tem um nome bem conhecido: preconceito.

Sim, a torcida uniformizada foi violenta e preconceituosa ao tentar impedir que são-paulinos usem brinco, cabelo tingido ou camisa rosa. Preconceito de gênero e dos mais primitivos, porque deduz que sejam atitudes de homossexuais e isso "não é aceitável" pela entidade. Um crime, portanto.

A manifestação de torcedores rivais ironizando o Trikas segue na mesma linha. Induz que é um apelido gay e que portanto, pode ser zoado. Como disse um grande amigo meu: tem gente que posta em rede social contra o preconceito para ficar bonito na foto, mas no "aconchego do seu lar" (conhecido como grupo de whatsapp) poder zoar à vontade. Pode? O preconceito é diferente no público e no privado?

Por fim: a ficha corrida de torcidas organizadas dão margem para julgamentos precipitados. Os invasores do gramado em Barueri foram imediatamente carimbados como membros da Independente e, a partir disso, o tribunal da internet entrou em ação exigindo o fim da organizada e a prisão de todo mundo. Afinal, "esses bandidos (generalizando) estão tirando o torcedor de bem da arquibancada."

Na verdade a faca foi arremessada da arquibancada por alguém que até agora ninguém sabe quem é. Os dois invasores não portavam faca nenhuma e, até onde se sabe, não são sócios da Independente. 

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