Eduardo Tironi

Jornalista há 28 anos, a maioria deles dedicados ao esporte, cobriu as Copas do Mundo de 1998 (França), pelo Notícias Populares, e 2006 (Alemanha) pelo Diário Lance!, onde foi editor-executivo. Sete anos como comentarista e editor-executivo na ESPN Brasil, tendo participado da cobertura da Copa do Brasil (2014) e da Olimpíada do Rio-2016 pelo canal.

Papo com Tironi

Vacina para todos. Esporte deveria dar exemplo

Por Eduardo Tironi 14/04/2021 • 09:02
Conmebol irá imunizar os participantes de seus campeonatos
Conmebol irá imunizar os participantes de seus campeonatos
Divulgação/Pixabay/AliRaza

Alguém no começo da pandemia previu que a disputa por vacinas seria daqueles episódios que fazem a gente desacreditar na raça humana. Um salve-se quem puder, uma luta desigual entre endinheirados e miseráveis.  

Ao que parece, estamos caminhando exatamente nesta direção. Alguns países já têm contratado um número de doses para imunizar duas vezes suas populações. Outros nem metade. No Brasil, empresas privadas querem comprar vacinas para imunizar seus funcionários. Por aqui também foi onde surgiu o caso das vacinas clandestinas que, no final, eram falsas. Uma espécie de castigo àqueles que quiseram dar uma de espertos. Sem contar os inúmeros casos de fura-filas espalhados pelo País e que vêm à tona todos os dias.

Claro que o esporte não ficaria fora disso, visto que é um espelho da sociedade. A Conmebol anunciou que a empresa Sinovac doará 50 mil doses de sua vacina para a entidade. Elas serão utilizadas na imunização dos atletas e outros funcionários que estejam envolvidos nas competições masculinas e femininas da confederação: Libertadores, Sul-Americana e Copa América (que terá prioridade).

Atletas aptos a disputar estas competições estão posicionados mais acima na pirâmide social do futebol. Atuam em clubes mais poderosos ou são selecionáveis. A base da pirâmide é formada por jogadores que ganham menos, têm menor proteção social… igualzinho como ocorre na sociedade, em que empresas querem vacinar seus funcionários (que estão empregados e, de alguma forma, estão menos suscetíveis aos dramas da pandemia).  

Não será estranho se outras confederações rumarem para o mesmo caminho, o de proteger os seus em detrimento de toda a população do planeta. Não duvido que a mesma ideia possa ser aplicada às delegações e funcionários que trabalharão nos Jogos Olímpicos de Tóquio.

Vacina deveria ser para todos. Em primeiro lugar para quem precisa mais. Este é o exemplo que o esporte deveria dar.

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