Eduardo Tironi

Jornalista há 28 anos, a maioria deles dedicados ao esporte, cobriu as Copas do Mundo de 1998 (França), pelo Notícias Populares, e 2006 (Alemanha) pelo Diário Lance!, onde foi editor-executivo. Sete anos como comentarista e editor-executivo na ESPN Brasil, tendo participado da cobertura da Copa do Brasil (2014) e da Olimpíada do Rio-2016 pelo canal.

Papo com Tironi

Vale a pena para um estrangeiro treinar time brasileiro?

Por Eduardo Tironi 28/04/2021 • 09:24
Ariel Holan pediu demissão do Santos após ser ameaçado pela torcida
Ariel Holan pediu demissão do Santos após ser ameaçado pela torcida
Reprodução/Instagram Santos

O futebol brasileiro viu nos últimos anos um desembarque de treinadores estrangeiros por aqui. Alguns de sucesso, outros não. Mas fato é que clubes recorreram a profissionais de fora do País porque a oferta nacional não correspondia às necessidades atuais.

O negócio parecia interessante para as duas partes. Os clubes mudavam a rota natural e procuravam um caminho diferente em vez de apostarem nos mesmos nomes de sempre que passaram os últimos muitos anos pulando de galho em galho, fazendo sucesso aqui, fracassando ali. Para os treinadores estrangeiros era a chance de explorar um mercado que paga bem (sim, no Brasil paga-se bem em comparação com o restante da América do Sul) e fazer história por aqui. Para europeus, uma boa possibilidade de vencer em um mercado novo e, quem sabe, voltar para o Velho Mundo mais bem colocado.

Mas fato é que poucos estrangeiros decidiram armar acampamento no Brasil e por aqui permanecer. Jorge Jesus é o melhor exemplo: ganhou tudo no País dirigindo o time mais rico e mais popular, o Flamengo. Por aqui virou rei. E mesmo assim preferiu voltar para a terrinha.

Um acontecimento específico desta semana pode ter mudado um pouco mais a percepção estrangeira sobre o País. Ariel Holan se mandou depois de ter sido ameaçado pela torcida do Santos. Ficou por aqui pouquíssimo tempo.

Para ele, o Brasil não foi nem uma aventura exótica para depois buscar outros voos. Foi um desastre (é justo dizer que seu trabalho também capengava e nunca engrenou).

Mas o recado que passou é que o futebol brasileiro é não só impaciente, maluco e com calendário insano, é também perigoso.

Um país que leva mais de 300 mil pessoas à morte numa pandemia por absoluta incompetência também é um país em que treinadores são ameaçados. Sim, até na Europa tem treinador agredido por torcida. Mas aqui soma-se a isso todas as outras mazelas do futebol nacional e do País e a pergunta vem à cabeça: vale a pena encarar esta aventura?

A experiência estrangeira por aqui pode ser interrompida por tudo isso.

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