Fábio Piperno

O jornalista Fábio Piperno participou in loco pelo Bandsports de coberturas de Copas do Mundo, Jogos Olímpicos, Libertadores e Copa América.

A épica noite do campeão Buffon e do herói Enzo Perez

Por Fábio Piperno 20/05/2021 • 13:11
Com apenas 11 jogadores disponíveis, Enzo Perez teve de assumir a posição de goleiro do River
Com apenas 11 jogadores disponíveis, Enzo Perez teve de assumir a posição de goleiro do River
Reprodução/Instagram River Plate

O argentino Enzo Perez nasceu em Mendoza, cidade famosa pelos vinhos que produz. O italiano Gianluigi Buffon iniciou a carreira em Parma, a meca do queijo. Em duas Copas do Mundo, Perez se mostrou um jogador de boa cepa. Presente em todos os mundiais de 1998 a 2014, Gigi Buffon destrói recordes, tem liderança e sede de bola.

No inesquecível 19 de maio que deveria ser aclamado como o dia mundial do goleiro, o italiano brilhou quando ainda era fim de tarde por nossas bandas. Pouco depois, o argentino foi o herói inesperado e acidental da noite. Gigi se despediu como campeão da camisa que mais vestiu e amou desde que ingressou no futebol profissional lá atrás, no distante 1995. Enzo estreou com uma camisa de goleiro que jamais imaginou vestir.

Campeão pela 22ª vez no gol da Juventus de Turim, Buffon é uma lenda bem viva. Goleiro por acaso em noite épica, quando o River Plate só tinha 11 jogadores em desafio da Libertadores, Perez fez história com as mãos. Na Itália, onde tudo é tradição e patrimônio da humanidade, Buffon já se tornou patrimônio do futebol. Na Argentina, pátria de Gardel (que me perdoem os amigos uruguaios!), a dramaticidade é uma rotina que baila em passos e movimentos de aflição. E foi assim a cada defesa de Enzo.

Na inesquecível quarta-feira da bola em que os deuses do futebol elegeram e incensaram seus preferidos, o divino Buffon comemorou o sexto título de Copa da Itália. Aos 43 anos, entrou em campo 14 vezes em 2021. Venceu 12 e empatou duas. Insaciável, sonha em disputar em 2022 a sexta Copa do Mundo que a eliminação da Itália lhe subtraiu em 2018.

Na noite mais memorável da sua carreira, o solidário Enzo Perez resistiu a uma contusão muscular para honrar a quinta camisa de clube que defende desde que deixou o modesto Deporto Maipu, de Mendoza, para se tornar um cidadão do mundo da bola, com passagens pelo futebol de Portugal e da Espanha. Saiu de campo como The Man of The Match, segundo a Conmebol. Se já respeitado, saiu também com o status de ídolo de um gigante sul-americano.

O italiano surgiu no Parma quando Taffarel estava deixando o clube. Era um tempo de vacas gordas na terra do queijo, quando o time investia milhões em estrelas e no sonho de se tornar um dos grandes. O argentino deixou a capital do vinho para vencer a Libertadores pelo Estudiantes, antes de cruzar o Atlântico para se apresentar ao Benfica de Jorge Jesus.  

Buffon e Enzo Perez, desafiando os limites do tempo e o desconhecido de uma nova posição em campo, fizeram história nesta quarta-feira. Só que muito mais do que eternizar proezas individuais, foram personagens da magia dessa arte em movimento chamada futebol.  

E ainda há quem ache que isso trata-se apenas de um jogo de bola.

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