Fábio Piperno

O jornalista Fábio Piperno participou in loco pelo Bandsports de coberturas de Copas do Mundo, Jogos Olímpicos, Libertadores e Copa América.

Eliminação precoce do Palmeiras precisa ter consequência

Por Fábio Piperno 30/04/2021 • 11:33
Time de Abel Ferreira usou o estadual deste ano para observar jovens jogadores
Time de Abel Ferreira usou o estadual deste ano para observar jovens jogadores
Cesar Greco/SE Palmeiras

O campeonato paulista praticamente acabou para o Palmeiras. Para os rivais, a provável eliminação precoce é um arranhão na imagem do atual campeão da América. Já a maioria dos palmeirenses encara com desdém o torneio, que em 2018 foi por eles chamado de Paulistinha.

Na entrevista após a derrota para a Internacional de Limeira, o técnico Abel Ferreira revelou que havia combinado com a direção do clube que usaria o estadual apenas para observar melhor os jovens valores que estão sendo lançados agora. Time titular que é bom só mesmo na Libertadores e, mais tarde, Copa do Brasil e Brasileirão.

O fato é que o campeonato paulista perderá muito com a provável ausência de um dos dois melhores times do país já na fase em que restarão oito equipes. O torneio ficará sem um candidato a protagonismo, a TV que transmite perderá audiência e os patrocinadores certamente ficarão furiosos da vida.

Nessa relação em que todos perderão, e aí também se inclui o Palmeiras que deixará de faturar mais cotas e premiação, surge a oportunidade para que o estadual mais rico e vistoso do país rediscuta seu péssimo regulamento e o próprio gigantismo. Em tempos de calendário apertado, Paulistão ou Paulistinha com 16 clubes é uma insensatez. E a fórmula, repetida há anos, que impede os confrontos dentro do mesmo grupo é um tributo à estupidez.

Dos estados que têm times na Série A do Brasileiro, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Bahia e Mato Grosso têm fórmulas bem simples. Turno único, seguido de play-off. A única diferença entre eles é que em três há a fase de quartas. Nos demais, a disputa final vai direto para as semifinais. No Ceará, o formato é igualmente bem racional. Fortaleza e Ceará entram apenas na segunda fase. Até a final, se chegarem até lá, serão apenas nove jogos. De resto, só Pernambuco e Goiás mantém fórmulas mais complicadas.

O estadual de São Paulo precisa aprender que o gigantismo em número de participantes, receitas e distribuição de prêmios correrá o risco de ruir se um gigante como o Palmeiras continuar jogando para escanteio um campeonato inchado e pouco interessante. E que pode se tornar um estorvo no caminho de seus principais objetivos. Então, é oportuno que se inicie já um debate sério para se racionalizar o torneio. Do contrário, o desdenhoso carimbo de Paulistinha pode virar marca.

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