Fábio Piperno

O jornalista Fábio Piperno participou in loco pelo Bandsports de coberturas de Copas do Mundo, Jogos Olímpicos, Libertadores e Copa América.

O Corinthians precisa de uma Xerém

Por Fábio Piperno 03/05/2021 • 16:21
Corinthians tem melhorado o desempenho com a entrada dos garotos da base
Corinthians tem melhorado o desempenho com a entrada dos garotos da base
Rodrigo Coca/Ag. Corinthians

Difícil não apontar o rubro-negro Pedro como o craque da semana passada no futebol brasileiro. Contra o La Calera, pela Libertadores, marcou daqueles golaços que mereceriam aplausos de um Maracanã lotado. Saudade disso! Diante do Volta Redonda, foi o autor de todos os gols do jogo na vitória do Mengão por 3x0. O ex-Tricolor não podia mesmo dar certo naquela retrancada Fiorentina. No time Viola, colocar a bola na rede parece ser o último dos objetivos de uns anos para cá. Os gols de Pedro são poesia que não combinam com a rima pobre que o time de Florença repete há muitos anos.

Só que no Flamengo Pedro raramente é titular. É um luxo para qualquer técnico do futebol brasileiro olhar para o banco e visualizar atacante de tamanho poder de foco para incendiar jogo complicado. Luxo sim, mas jamais desperdício de talento.  

O atual bicampeão brasileiro pode contar com jogador desse nível como opção porque trabalhou muito até atingir o atual poderio econômico. Endividado, com times mais ou menos e com contas descontroladas, o Flamengo de uma década atrás caminhava para o descalabro, atalho para a irrelevância. Deu uma guinada radical, adotou a responsabilidade fiscal e tudo mudou. Hoje pode ter Gabigol, Arrascaeta, Bruno Henrique e Pedro, por quem gastou mais de 50 milhões. De euros!

Em São Paulo, o outrora Todo Poderoso Timão está a anos-luz de alcançar a pujança rubro-negra. E até onde se sabe, tem feito muito pouco para mudar de vida. Mas sem querer, talvez possa ter encontrado sinais no Majestoso deste final de semana, que começou no domingo e só terminou na segunda-feira. O técnico Vágner Mancini sacou os veteranos Gil, Fábio Santos e Jô, todos ídolos em péssimas fases, e os substituiu por garotos. O time melhorou. Ganhou vibração e velocidade. Nem parecia o apático e preguiçoso Timão da derrota para o Peñarol.

Bem, antes que me acusem de uma euforia por um mero empate no clássico, reconheço que entre os garotos corintianos não há nenhum que pareça ser um novo Rivellino, Sócrates, Casagrande ou mesmo um Jô de 2017. Mas eles merecem uma oportunidade. E apontam para o que deve ser o caminho do Corinthians. Em vez de sair pelo mercado gastando o que não tem e trazendo qualidade duvidosa ou ídolos em final de carreira, o Timão deveria ser espelhar no Fluminense. E construir sua Xerém, a usina de craques que está recuperando finanças, o time e devolvendo a autoestima a um gigante que andava em baixa.

Ou isso ou então o destino pode ser o de se tornar um Independiente de Itaquera. O gigante de Alvellaneda, maior vencedor de Libertadores, tornou-se irrelevante. O Corinthians não merece isso.

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