Fábio Piperno

O jornalista Fábio Piperno participou in loco pelo Bandsports de coberturas de Copas do Mundo, Jogos Olímpicos, Libertadores e Copa América.

Superliga morreu, mas a ideia não

Por Fábio Piperno 26/04/2021 • 18:19 - Atualizado em 26/04/2021 • 18:20
Presidente do Real Madrid, Florentino Pérez foi um dos idealizadores da Superliga
Presidente do Real Madrid, Florentino Pérez foi um dos idealizadores da Superliga
Reprodução

A elitista e mesquinha Superliga que o cartel dos milionários clubes europeus tentou criar foi um golaço contra. Como todos sabemos, a associação engendrada pelos 12 apóstolos do dinheiro a qualquer preço teve morte precoce, desprezada por torcedores, combatida pelas entidades que orbitam o sistema Fifa e sob pesados ataques de jogadores e treinadores de todo o continente europeu. Possuídos pela soberba, os idealizadores tinham até mesmo encomendado 70 mil camisetas alusivas à insurreição gananciosa. Encalhe à vista!  

Mas se o espúrio bloco morreu, sua principal motivação continuará vivíssima, ainda mais em tempos de uma pandemia que espalha falências e pobreza. Sim, a ideia central que moveu o grupo foi a de lucrar mais com o negócio chamado futebol, objetivo comum a todos que gravitam em torno da bola, em qualquer parte do planeta.

De olho nessa possibilidade, mas sem pregar rebelião contra o ecossistema liderado pela Fifa, pipocam iniciativas que têm em comum o princípio do “somar forças para dividir melhor”. Assim, Holanda e Bélgica caminham para fundir em 2024 suas pouco rentáveis ligas nacionais. A óbvia motivação é a de ganhar mais dinheiro. Os vizinhos e rivais entenderam que reunindo em um mesmo campeonato seus melhores times, todos ganharão mais. Só que diferente da Superliga, que seria um torneio com vagas cativas para seus fundadores, holandeses e belgas pretendem uma competição corretamente baseada no mérito esportivo.

No Reino Unido também já há conversas que miram os dois gigantes da Escócia. A intenção seria a de trazer Celtic e Rangers para a Premier League. Político tarimbado e bom de faro, o primeiro-ministro Boris Johnson torce pelo êxito da ideia, pois enxerga na proposta uma forma de contra-ataque ao ímpeto secessionista dos escoceses, que novamente tentam aprovar um referendo para se separar do Reino Unido. Afinal, o que a bola é capaz de unir, nem o voto poderia separar!

Por aqui, vez por outra ecoam as vozes que defendem a união da Libertadores com a Champions da Concacaf. Defendo a ideia. Já imaginaram um torneio com 18 equipes sul-americanas e outras 14 de lá, integrando a maior competitividade daqui com os bilhões investidos por americanos, mexicanos e, mais recentemente, até por canadenses? Se a Conmebol se orgulha por aumentar a premiação das suas competições para mais de R$ 1 bilhão em 2021, quanto não seria distribuído em um torneio que fosse realmente de toda a América? Sem contar os ganhos técnicos e mercadológicos que a iniciativa poderia oferecer.

Clubes e torneios inteligentes arrecadam mais. Portanto, confederações, clubes e boleiros de toda a América, uni-vos!

  • fabio-piperno
  • app
  • futebol
  • superliga
  • conmebol