Fábio Piperno

O jornalista Fábio Piperno participou in loco pelo Bandsports de coberturas de Copas do Mundo, Jogos Olímpicos, Libertadores e Copa América.

Teremos uma seleção de coadjuvantes

Por Fábio Piperno 06/05/2021 • 19:31
Jogadores brasileiros têm tido pouco protagonismo no futebol europeu
Jogadores brasileiros têm tido pouco protagonismo no futebol europeu
Lucas Figueiredo/CBF/Mowa Press

Quando venceu a Copa América de 2019, o Brasil iniciou a final diante do Peru com Alisson; Daniel Alves, Marquinhos, Thiago Silva e Alex Sandro; Casemiro, Arthur e Coutinho; Gabriel Jesus, Firmino e Éverton Cebolinha. Naquele jogo faltou Neymar. Pois bem, é provável que se a seleção fosse disputar outra decisão hoje, muitos daqueles titulares continuariam no time, algo muito preocupante.

Todos aqueles que Tite escalou para derrotar o Peru são ótimos jogadores. Entre eles, Neymar é o único especial. Casemiro está entre os melhores do mundo na posição. Marquinhos é excelente. O goleiro é dos bons. Mas e os demais?

Cada vez mais, a seleção brasileira se limita a aglutinar ótimos coadjuvantes de times importantes. Alguns, nem titulares são. Faz tempo que não se ouve falar bem de Arthur. No Manchester City, Gabriel Jesus jamais foi realmente titular. Até se imaginava que isso fosse ocorrer com a saída de Agüero. Mas a fila andou. E sem ele. Firmino é muito bom. Mas é o menos notável do trio que forma com Salah e Mané. Éverton é titular. Do Benfica.

Na verdade, falta protagonismo aos principais brasileiros que jogam na Europa. Não temos mais grandes artilheiros por lá. Aliás, se considerarmos as cinco maiores ligas nacionais, quem mais marcou gols na temporada 2019/20 foi João Pedro, do Cagliari. Nem todos por aqui o conhecem. Daniel Alves acaba de comemorar de 38 anos, idade que Thiago Silva terá quando a bola começar a rolar na Copa do Catar. Será que chegarão até lá? É bom que isso ocorra, porque até agora não temos substitutos de altíssimo nível para eles.

Se pensarmos no banco de reservas, a coisa fica ainda pior. Virar um jogo contra seleção de primeira linha, com as opções que temos hoje, seria algo bem improvável. Após o título de 2002, nunca passamos das quartas nas Copas que disputamos fora do país. Mas parece que não caímos na real.

Em quantidade, continuamos exportando como ninguém. Em qualidade, nos faltam jogadores especiais como nunca. E não temos perspectivas de que isso possa mudar.

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