Fábio Piperno

O jornalista Fábio Piperno participou in loco pelo Bandsports de coberturas de Copas do Mundo, Jogos Olímpicos, Libertadores e Copa América.

Zagueiro e o Atlético de Madrid podem ajudar o São Paulo

Por Fábio Piperno 23/05/2021 • 09:31
Miranda pode ser o trunfo do São Paulo para ser campeão novamente
Miranda pode ser o trunfo do São Paulo para ser campeão novamente
Reprodução/Instagram São Paulo

Parece até que esta é a temporada da terceira via na Europa após os títulos do Sporting, que saiu da fila após 19 anos em Portugal, Atlético de Madrid, campeão da Liga espanhola pela última vez em 2014, do turco Besiktas e da Internazionale, na seca desde 2010 na Série A italiana. Claro que carimbar a Inter de terceira força na Itália é algo sempre discutível, ainda mais agora que o clube tem um título nacional de vantagem sobre seu arquirrival Milan. Ocorre que o lado vermelho de Milão tem muito mais Champions e a Juventus abriu distância inalcançável quando a conta é sobre os scudetti. Mas tudo isso é para falar do São Paulo.

O Tricolor tem a chance de desencalhar neste domingo. Não grita campeão há 8 anos e 5 meses, quando conquistou a Sul-Americana. Mas naquele tempo, o torneio não tinha o mesmo status e nem era levado tão a sério como hoje. Por isso, na conta dos rivais, o São Paulo não ganha algo relevante desde o último título do brilhante tri-brasileiro de 2006/07/08. E não vence um estadual desde 2005, o maior jejum da história do clube.

Talvez seja um pouco de exagero imaginar que, mesmo decidindo em seu estádio, o São Paulo seja favorito sem Daniel Alves e Benitez contra um Palmeiras que disputou 5 decisões de 9 meses para cá. Não como não reconhecer que o Verdão leva pelo menos a vantagem emocional por ter sido muito mais testado em momentos agudos nesses últimos tempos. É também importante reconhecer que o Tricolor em muitos jogos decisivos no passado recente, mesmo quando tinha mais time que o adversário. Nesse caso, a lembrança da derrota para o Mirassol é inevitável.

Só que o argentino Hernán Crespo não era o técnico do São Paulo em nenhum desses fracassos. Com ele, o time dá a impressão de ser mais sólido, equilibrado emocionalmente e de ser capaz de apresentar repertório mais variado até mesmo em esquemas táticos. É nisso em que o torcedor confia para reverter a maré.

Até aqui, a mescla das revelações com a experiência de craques balzaquianos como Daniel Alves e Miranda tem apresentado os resultados desejados. O time corre menos riscos e não se abala diante de qualquer golpe que ocorre durante o jogo.  

O zagueiro Miranda fez vitoriosa carreira em grandes da Europa e disputou ótima Copa do Mundo em 2018. Com Daniel Alves, reforça a tradição do São Paulo de buscar alguns veteranos para guinadas necessárias. Foi assim com Zizinho em 1957, com Gérson em 1970 e Toninho Cerezzo em 1992, entre outros. Todos veteranos que comemoraram títulos no Tricolor. Assim como acaba de ocorrer com Luiz Suárez, no Atlético de Madrid.

O quarteto de times citados no início do texto enfrentou desafios complicados ao longo da temporada. A equipe espanhola conseguiu confirmar o título apenas na última rodada de um campeonato em que chegou a ter 10 pontos de vantagem. No jogo decisivo precisou virar o placar. Foi necessário mostrar frieza e controle dos nervos. Miranda jogou e foi campeão com a camisa colchonera. Talvez possa explicar aos companheiros como encarar momentos decisivos em um clube que desaprendeu a conquistar títulos.  

Ele e o Atlético de Madrid podem ser excelentes exemplos para o São Paulo nesta decisão.

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