Rafael Augusto

Acredita no poder de contar uma história e que se for possível fazer a diferença para uma única pessoa, terá cumprido o seu papel. É formado em Jornalismo e tem especialização em Mídias Sociais. Atualmente no Bandsports, conta com passagens pela TV Band, ESPN, Olimpíada Todo Dia e Gazeta de Santo Amaro.

Brasileiros pelo Mundo

Adam Adami, o brasileiro que joga no mais antigo país do mundo

Por Rafael Augusto 27/12/2021 • 12:27
Volante de 29 anos atua em San Marino desde 2019
Volante de 29 anos atua em San Marino desde 2019
Reprodução/Instagram

Dentre alguns dos países do mundo que têm jogadores brasileiros cujas histórias foram contadas aqui na coluna, esta semana trazemos a história de Adam Adami Martins, um volante brasileiro de 29 anos que joga em San Marino, a república mais antiga e um dos menores do mundo.

Com uma área de pouco mais de 61 km², o país nasceu no século 4, quando um grupo de cristãos se assentou no local, mas a independência só aconteceu a partir de 1862. São apenas 30 mil habitantes que vivem no país, localizado na região de central e montanhosa da Itália, mas este não é o caso de Adam Adami.

“Em janeiro de 2019 eu recebi essa proposta de jogar em San Marino. De 2019 para cá, este é o segundo time que eu já estou jogando. Os anos aqui têm sido muito bons, aprendi bastante, a língua, os costumes, a cultura, mas o problema foi a pandemia que chegou em 2020, mas é um lugar muito bom de se viver e uma qualidade de vida muito boa. Não tenho nada para dizer de ruim. Só tem uma coisa que muitas pessoas não sabem, praticamente todo mundo. Em San Marino você não pode morar se você não nasceu em San Marino. Eu moro na Itália, faço tudo na Itália e só vou a San Marino para treinar. Como não nasci lá, não posso simplesmente alugar uma casa. Eles têm as leis deles, as regras deles, uma coisa um pouco diferente do que estamos acostumados, mas não vejo problema“, conta o jogador.

Contratado na metade de 2021 para defender as cores amarela e azul do Tre Fiori, time de maior sucesso do país, Adam é o único brasileiro na Liga e já vestiu as cores do Pennarossa, ambos os times da primeira divisão do país, a Liga San-Marinense.

Início no futebol carioca e passagem pela Bélgica

Indo para o quarto ano no futebol de San Marino, Adam já se sente em casa, pois, apesar de natural do Rio de Janeiro, a ascendência italiana está no sobrenome da família.

“Eu tenho sim a dupla nacionalidade. Em 2018 eu consegui o passaporte italiano ainda no Brasil, com a ajuda da minha família. A minha descendência é por parte da minha mãe, meus avós eram de Mantova, mas infelizmente eu não tive a oportunidade de conhecê-los. O sobrenome Adami vem dos meus parentes por parte de mãe. É um pouquinho da minha origem e da onde vem essa parte italiana da minha família”, conta.

No futebol, ele começou a dar os primeiros chutes no futsal do Flamengo, clube pelo qual fez praticamente toda a formação de base.

“Comecei como toda criança jogando com os amigos perto de casa. Tinha uma escolinha e tinham dois amigos mais velhos do que eu e que jogavam no futsal do Flamengo. Um dia o pai de um deles me convidou para fazer um teste, eu fui e acabei passando. Aí começou toda a minha trajetória na base do Flamengo aos 7 anos de idade. Joguei por muitos anos na base, fiz todas as categorias. Fui muito feliz, aprendi muito, foi uma experiência muito boa, que me deu bagagem para conseguir me tornar jogador profissional. Depois passei por América, Audax, Volta Redonda, mas a minha base foi no Flamengo”, relembra.

Adam iniciou trajetória no futsal do Flamengo. Reprodução/Instagram


As passagens por alguns clubes permitiram ao volante ter um material que pudesse servir para atrair outros clubes interessados no seu futebol. E foi o que ocorreu. Ele recebeu a primeira oportunidade de jogar fora do país, no futebol belga, nação que costuma receber alguns jovens brasileiros.

“O convite para jogar em 2018 fora do país veio através de um amigo de um amigo, que tinha meu material. Ele se chama Júnior Barcelos e ele é treinador de um time de base na Bélgica e tinha contatos. Ele foi indicando o meu material, gostaram, acabei sendo escolhido e veio o convite para jogar fora. Foi muito louco. Eu esperava isso há muito tempo, sonhava com isso. Foi uma das melhores sensações da minha vida, mas também foi um desafio enorme, pois era um país com uma língua diferente, muito frio. Foi tudo novo, mas uma experiência maravilhosa. Aconteceu muito rápido de receber a notícia de que gostaram do meu material e na semana seguinte estar embarcando”, fala.

O período na Bélgica não foi muito longo, pois logo depois veio a oferta para ir jogar em San Marino durante um período de férias natalinas no Brasil.

As curiosidades do futebol e da vida, “de passagem”, em San Marino

A Liga San-Marinense começou a ser disputada em 1985 e na temporada passada teve um novo formato adotado, no qual os times se enfrentam em jogos de ida e volta e os 12 melhores avançam para a fase de playoffs. Nesta fase, os quatro melhores vão direto para a fase de quartas de final, enquanto os outros oito duelam pelas outras quatro vagas em um formato de mata.

Adam já contabiliza seis gols no país em quase 50 jogos (até a publicação dessa matéria), uma ótima média para quem costuma jogar como um volante mais defensivo, mas que consegue atuar nas demais funções do meio-campo.

A maioria dos jogos feitos foram em dois anos defendendo as cores branca e vermelha do Pennarossa, outro time tradicional do país. E a percepção é a de que o futebol no país tem se desenvolvido, ainda que não seja considerado plenamente profissional, a liga ocupe o último lugar dentre as demais no coeficiente europeu.

Adam em ação com a camisa do Pennarossa. Reprodução/Instagram


“Eu acredito que isso acontece porque não deram a devida importância ao futebol aqui. A maioria dos jogadores que jogam na seleção, jogam por aqui ou nas redondezas da Itália, mas eles não são especificamente atletas de futebol, não sobrevivem só do futebol, então têm outro trabalho. É uma jornada dupla, tem que trabalhar e jogar. Isso prejudica bastante no rendimento dentro de campo. Infelizmente é assim que acontece. O que posso dizer da Liga interna é que é bastante competitiva. Eles têm uma regra aqui que deve ter no mínimo dois san-marinenses e que se um sair, tem que entrar outro no lugar. É bastante competitivo, tem muitos jogadores italianos que jogam aqui e o nível subiu bastante nos últimos anos, só que essa de não serem atletas prejudica bastante o rendimento e isso se nota”, analisa.

E se a liga tem melhorado, a vida não deixa nenhuma reclamação a Adam. Apesar de não morar no local, ele nota a tranquilidade que as regras peculiares a República mais antiga do mundo dá aos seus moradores.

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