Rafael Augusto

Acredita no poder de contar uma história e que se for possível fazer a diferença para uma única pessoa, terá cumprido o seu papel. É formado em Jornalismo e tem especialização em Mídias Sociais. Atualmente no Bandsports, conta com passagens pela TV Band, ESPN, Olimpíada Todo Dia e Gazeta de Santo Amaro.

Brasileiros pelo Mundo

Carlos Eduardo, um artilheiro com a força da Santíssima Trindade

Por Rafael Augusto 10/03/2021 • 16:20
Brasileiro virou ídolo do Al Hilal e hoje defende o Shabab Al-Ahli
Brasileiro virou ídolo do Al Hilal e hoje defende o Shabab Al-Ahli
Instagram/Carlos Eduardo

O futebol de países da região do Oriente Médio tem uma relação direta com o futebol brasileiro, seja com a atuação de jogadores ou de técnicos e alguns deles puderam gravar o seu nome na história de clube e dos países no qual trabalharam.

A coluna desta semana apresenta a história de Carlos Eduardo, meio-campo de 31 anos, e um dos brasileiros que carrega uma idolatria muito grande em um dos principais clubes asiáticos. Na última temporada, ele deixou o Al-Hilal, da Arábia Saudita, após cinco anos. Saiu como um verdadeiro Rei e agora vai tentar construir uma nova dinastia nos Emirados Árabes Unidos, defendendo o Shabab Al-Ahli.

“Foi um período bacana de cinco anos. Conquistei todos os títulos no clube, fiz história. É um clube bem grande na Ásia. Fiquei bem feliz com todos os meus feitos. É uma coisa que vai ficar guardada sempre na minha carreira e na minha vida. Foi com muito trabalho e muito suor que consegui alcançar todos os objetivos”, conta.

Brasileiro virou ídolo do Al Hilal. Foto:Divulgação/Al Hilal


Para que se tenha noção, Carlos Eduardo é o maior artilheiro estrangeiro da história do clube, com 81 gols em 156 partidas. Com 7 títulos na bagagem, ele deixou uma marca em um clube que tem um apreço não só por jogadores, mas também por técnicos brasileiros e já contou com nomes como com Rivellino, Zagallo, Thiago Neves, Candinho e outros.

Os números são excelentes e o torcedor saudita se acostumou a ver o meio-campo com grande potencial de chegada no ataque. Contudo, principalmente para quem acompanhou o Mundial de Clubes de 2019 e não conhecia o brasileiro que jogou contra o Flamengo e levou a bola de bronze da competição, estranhava o camisa 3 atuando quase como um atacante, mas é um número que tem um significado para ele e que ficará marcado para sempre na história do clube.

“Muita gente já me perguntou mesmo. Você não é zagueiro? O que está fazendo aqui na frente? Quando eu fui para a França tinham muitos números altos e tinha disponível a número 3, que eu queria no Porto, mas era do Lucho. Quando surgiu a oportunidade, eu peguei, e o significado é a trindade, o pai, o filho e o espírito santo”, explica.

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Camisa de zagueiro, números de artilheiro. Foto: Reprodução/Instagram


Giro pelo Brasil e ida para a Europa

O desconhecimento que muitos torcedores brasileiros possam ter é que o jogador deixou o país ainda muito jovem. “Meu início foi fazendo base no Desportivo Brasil, joguei profissional no São Bento, Ituano, Fluminense e depois fui para o Grêmio Prudente. Considero que foi uma experiência bacana. Não tinha nada de experiência, foi um início de aprendizado”, relembra.

A primeira experiência na Europa foi em um dos clubes mais brasileiros do continente, o Estoril Praia, que na época contava com administração brasileira. Após alguns empréstimos, foi comprado pelo Porto e a experiência em Portugal foi determinante para o desenvolvimento do jogador.

“Quando eu cheguei em Portugal, eu demorei para me adaptar. Não basta você ter talento. Você precisa aprender a jogar taticamente e a aprender a marcar e são coisas que você fica no futebol brasileiro e acaba não aprendendo tanto. Os treinadores portugueses têm isso no DNA, desde a base eles gostam de ensinar a tática mais do que a técnica”, salienta.

Do Porto, foi emprestado ao Nice, da França, onde teve uma boa temporada na primeira divisão, o que despertou o interesse do Al-Hilal, clube para o qual partiu para se tornar um dos grandes ídolos.

Desafio em novo clube e chance de retornar ao Brasil

A chegada nesta temporada em um outro grande clube asiático, como o Shabab Al-Ahli, um dos maiores do Emirados Árabes Unidos já rendeu resultado, pois com Carlos Eduardo em campo, o time já conquistou a Superliga.

Em busca do título que não conquista há cinco temporadas, o clube aposta muito no brasileiro que já marcou seis gols em 13 partidas na liga nacional, provando que a adaptação sempre foi algo muito tranquilo para ele.

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Carlos Eduardo defende hoje as cores do Shabab Al-Ahli. Foto: Divulgação/Shabab Al-Ahli


“Eu sempre me adaptei muito fácil. Em Portugal, na França, na Arábia e aqui nos Emirados. Eu não tive dificuldade nenhuma. Eu tenho uma rotina muito tranquila de casa para o treino e treino para casa. A dificuldade maior é na língua e no jeito de jogar”, avalia.

Com experiência em quatro países diferentes e com dois anos de contrato, o jogador completou nesta temporada uma década fora do país. “É verdade. Já completei uma década fora do país. Penso em voltar um dia, mas depende das oportunidades que me surgirem”, finaliza.

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