Rafael Augusto

Acredita no poder de contar uma história e que se for possível fazer a diferença para uma única pessoa, terá cumprido o seu papel. É formado em Jornalismo e tem especialização em Mídias Sociais. Atualmente no Bandsports, conta com passagens pela TV Band, ESPN, Olimpíada Todo Dia e Gazeta de Santo Amaro.

Brasileiros pelo Mundo

Fábio Gama, a sensação brasileira no futebol de Gana

Por Rafael Augusto 09/11/2021 • 15:43 - Atualizado em 09/11/2021 • 15:53
Meia de 29 anos é o único brasileiro em atividade no país africano
Meia de 29 anos é o único brasileiro em atividade no país africano
Divulgação/Asante Kotoko

É de se imaginar que exista um bom número de brasileiros jogando e fazendo sucesso em quase todos os países do planeta. Na coluna desta semana, vamos trazer uma história que representa em parte esse pensamento. Em Gana, país localizado na África Ocidental, apenas um único brasileiro joga por lá, contudo ele é um dos principais nomes do futebol no país.

Trata-se de Fábio Gama, meia de 29 anos que defende o Asante Kotoko e que foi considerado como o jogador mais proeminente da nova temporada da Premier League Ganesa, a primeira divisão do país.

A temporada 2021/2022 será a segunda na qual Fabio defenderá as cores do time conhecido pelo apelido de os “guerreiros porco-espinho”, animal que é um símbolo do clube. No primeiro ano contribuiu para o vice-campeonato ao anotar 4 gols e dar 6 assistências em 28 partidas.

“Gana tem um futebol muito forte fisicamente e bem dinâmico, então acabou que tive que me adaptar rápido a essa mudança”, conta o jogador que veste a camisa 10 do clube.

Ele é apenas o terceiro brasileiro na história a jogar em Gana.

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Fábio Gama em ação com a camisa do Asante Kotoko. Divulgação/Asante Kotoko


Do frio da Europa para o calor da África

O êxodo mais comum é que os jogadores saiam das ligas locais dos países africanos e vão jogar nas ligas europeias. Gana é um destes países exportadores. A nação conquistou a independência em 1957 e tem se tornado mais representativa dentro do futebol, com a seleção presente em Copas do Mundo recentes (as três únicas participações foram nas edições de 2006, 2010 e 2014).

Contudo, o caminho de Fábio Gama foi o contrário. Após o início da carreira no futebol brasileiro, no qual atuou por times de diferentes regiões, ele se transferiu em 2018 para jogar na segunda divisão sueca, a Superettan.

“A liga de futebol sueca é muito boa e forte taticamente. O país é de primeiro mundo e a vida se torna muito boa e prazerosa”, conta.

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Brasileiro defendeu o Superettan, da Suécia. Reprodução/Instagram


O primeiro ano no futebol sueco foi por um período de seis meses defendendo as cores do IFK Varnamo, que acabou não conseguindo se manter na segunda divisão. Foram dois gols e uma assistência de Fábio em 14 partidas. Como o contrato era curto, o jogador trocou de equipe para a temporada seguinte, em 2019, e foi defender o Jonkopings Sodra IF, cuja campanha fez com que o time fosse o quarto colocado e ele deixou sua marca com um gol e duas assistências.

“Joguei dois anos na Suécia e o contrato expirou, então tivemos que aproveitar outras oportunidades e foi daí que surgiu a possibilidade de jogar em Gana”, explica.

O Asante Kotoko é um dos times mais vitoriosos de Gana, sendo o que mais venceu a Premier League ganesa (24 títulos) e o segundo que mais levantou a taça da Copa (9 conquistas). Além disso, a questão do clima também atraiu o jogador.

“Na Suécia tudo se torna novo, o frio e a neve coisas que são incomuns de ver no Brasil. Em Gana, um país mais populoso e mais caloroso, é mais parecido com o Brasil”, comenta.

Início no Bahia e seleções de base

A semelhança de clima e cultural faz com que Fábio se sinta mais em casa no país africano. Nascido em Ribeira do Pombal, cidade do nordeste baiano, o jogador foi jogar nas divisões de base do Bahia, clube pelo qual foi revelado e que chegou a ser convocado para jogar em seleções de base.

“Fui revelado pelo Bahia, meu começo foi bom e foi difícil também, mas conseguir lidar com as dificuldades. Fui convocado em 2011 seleção sub-20, naquele time tinha o Felipe Anderson (meia do Napoli), Dudu (meia do Palmeiras), César (goleiro do Flamengo), entre outros bons jogadores”, relembra.

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Meia foi revelado pelo Bahia e passou pela seleção sub-20. Divulgação/Bahia


Até a saída do país em 2018, Fábio rodou por alguns outros clubes do Brasil, como Botafogo-SP, Botafogo-PB, Gama, Operário-MS, ABC, Campinense, Itabaiana e URT-MG.

“Eu aproveitei cada oportunidade em cada clube que passei e sou grato a Deus por isso, pois em cada clube, cada dificuldade foram bons aprendizados que tirei pra minha vida”, conta.

E se há dois anos o caminho foi da Suécia para Gana, quem sabe no futuro o jogador possa retornar para jogar no futebol europeu, pelo menos esse é um desejo.

“Realmente é de se pensar sempre em voltar pra Europa, até porque lá o futebol é o melhor do mundo, mas por enquanto só penso em aproveitar o tempo que tenho em Gana e deixa o futuro nas mãos de Deus”, finaliza.

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