Rafael Augusto

Acredita no poder de contar uma história e que se for possível fazer a diferença para uma única pessoa, terá cumprido o seu papel. É formado em Jornalismo e tem especialização em Mídias Sociais. Atualmente no Bandsports, conta com passagens pela TV Band, ESPN, Olimpíada Todo Dia e Gazeta de Santo Amaro.

Brasileiros pelo Mundo

Fábio Lima, o meia-artilheiro a serviço dos Emirados Árabes Unidos

Por Rafael Augusto 03/05/2021 • 17:50
Brasileiro veste a camisa 10 e é um dos grandes nomes da história do Al-Wasl
Brasileiro veste a camisa 10 e é um dos grandes nomes da história do Al-Wasl
Divulgação/Al-Wasl

Um dos grandes times do futebol árabe tem um brasileiro como astro e como uma das principais armas. O Al-Wasl, tradicional clube dos Emirados Árabes Unidos e segundo maior vencedor da Liga do país – com sete conquistas – tem o destaque de Fábio Lima, o estrangeiro que mais fez gols e um dos maiores artilheiros da história do clube e da Liga emiradense.

O nome pode não trazer lembranças ao torcedor brasileiro e considerando a artilharia do jogador, já se imagina que atue como atacante, porém, Fábio Lima atua como meia e camisa 10 do time que defende há sete anos.

“Eu tenho bons números pelo clube. Já tenho quase 200 gols na carreira e quase todos pelo Al-Wasl. Eu gosto de entrar na área e de fazer gols. Eu tenho esse objetivo de todos os anos brigar pela artilharia. Primeiramente eu penso no clube, no geral, na melhor campanha e depois os objetivos pessoais, mas eles correm lado a lado. Para a minha posição são números expressivos. Não é qualquer meia que tem tantos gols e assistências na carreira. Fico feliz pelos números e pretendo chegar aos 200 gols no ano que vem”, explica.

Nesta temporada, apesar de uma campanha não muito boa do time, o jogador segue a sua rotina de brigar para ser um dos artilheiros da Liga, com mais de 20 gols anotados.

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Fábio Lima é o estrangeiro com mais gols na história do Al-Wasl. Divulgação/Al-Wasl


O começo no Brasil e a chance de ir para o exterior

O paraibano Fabio Lima está com 27 anos e há sete defendendo o Al-Wasl. O jogador deixou o futebol brasileiro bem cedo. As partidas profissionais foram principalmente no Atlético-GO, time que o contratou quando ainda era do Icasa-CE e o emprestou para passagens nas divisões de base do São Paulo e Vasco da Gama.

“Realmente eu passei pelas duas bases do Vasco e São Paulo. Primeiro na base do São Paulo eu não tive a oportunidade de jogar no profissional. Na Copinha de 2013 eu fiquei na expectativa de subir para o profissional, mas não tive essa oportunidade, infelizmente. Posterior a isso fui para o Vasco, comecei na base e fui para o profissional. Eu treinava muito bem e joguei uns dois jogos ou três, joguei um amistoso com o Paulo Autuori e fui muito bem, mas eu tinha um problema no meu contrato e o Vasco não queria me colocar para jogar para não ter uma valorização. Depois disso fui para o Atlético-GO”, conta.

A saída do Atlético-GO para o Al-Wasl aconteceu no meio do ano de 2014, depois que ajudou o Dragão a se livrar do rebaixamento na Série B de 2013 e a conquistar o Campeonato Goiano de 2014.

“Em 2014 eu vim para o Al-Wasl emprestado. Não pensei duas vezes. Foi e está sendo a oportunidade da minha vida. Eu consegui aproveitar bem, foi o Jorginho que me deu a oportunidade naquela época, ele e o Marcelo Cabo que era auxiliar. Então, foi uma oportunidade que eu abracei. No começo foi muito difícil a adaptação. Uma língua, cultura e futebol diferente. Eu tinha 21 anos e nunca tinha saído para fora do país, não tinha nem passaporte, fiz na correria. Depois eu fui muito bem. Consegui ficar entre os três melhores estrangeiros da Liga. O Al-Wasl tinha a opção de compra, fiz um novo contrato e eu estou até hoje aqui, muito feliz no clube e no país”, explica.

Se no período da chegada ele pôde contar com a ajuda de uma comissão brasileira, novamente ele trabalha com uma. Desde o ano passado o técnico ad equipe é Odair Hellmann, cujo contrato foi renovado para continuar no comando do time.

Sonho de vaga na Copa do Mundo

Os bons números e o tempo no país abriram a possibilidade de o jogador obter o pedido de cidadania e defender a seleção dos Emirados Árabes Unidos. E as primeiras oportunidades começaram a chegar com as convocações do técnico holandês Bert Van Marwijk.

“Ano passado consegui a cidadania, consegui o passaporte para ir para a seleção. Vieram as primeiras convocações para os amistosos e fico feliz por ser convocado e lembrado pelo treinador. Nós teremos jogos difíceis em junho, os últimos jogos da primeira fase das Eliminatórias. Nosso objetivo é classificar nesta fase e posteriormente ir à Copa do Mundo. É o objetivo do país. Estamos com a expectativa de conseguir essa vaga. Estamos fazendo bons jogos amistosos. Temos um bom time, jovem e que tem vontade de fazer história pela seleção, comenta.

Brasileiro é presença constante na seleção dos Emirados Árabes Unidos. Divulgação/UAEFA


Nas Eliminatórias para a Copa do Mundo do Catar, a seleção emiradense ainda tem quatro jogos por fazer e está na quarta colocação de cinco seleções do Grupo G, com seis pontos somados e um jogo a menos que os demais. O grupo tem cinco equipes e se classificam os oito campeões de cada grupo, além dos quatro melhores segundos colocados.

A seleção emiradense busca a sua segunda participação em Copas do Mundo. A única foi no Mundial de 1990, sob o comando de Carlos Alberto Parreira, mas foi eliminada na fase de grupos ao sofrer três derrotas.

A nova possibilidade de servir a seleção pode pesar sobre o futuro do jogador, que tem vínculo a se encerrar no Al-Wasl em breve e pondera sobre o futuro.

“Meu plano é continuar no clube. Eu tenho mais um ano de contrato e pretendo cumprir. Quando eu cumprir o último ano, vou sentar e ver as propostas, se tem proposta de renovar, ir para outro país ou retornar para o Brasil. Estou aberto a todos as possibilidades, mas pretendo cumprir o contrato pelo clube e jogar pela seleção”, finaliza.

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