Rafael Augusto

Acredita no poder de contar uma história e que se for possível fazer a diferença para uma única pessoa, terá cumprido o seu papel. É formado em Jornalismo e tem especialização em Mídias Sociais. Atualmente no Bandsports, conta com passagens pela TV Band, ESPN, Olimpíada Todo Dia e Gazeta de Santo Amaro.

Brasileiros pelo Mundo

Francisco, um artilheiro no continente americano: México, Paraguai e Bolívia

Por Rafael Augusto 03/01/2022 • 12:48 - Atualizado em 03/01/2022 • 16:28
Atacante gaúcho de 26 anos brilhou com a camisa do Sol de América na última temporada
Atacante gaúcho de 26 anos brilhou com a camisa do Sol de América na última temporada
Divulgação/Sol de América

Entre as histórias já publicadas na coluna contamos a de jogadores que jogam em três continentes: Europa, África e Ásia. Geralmente os mais distantes e curiosos países da bola. Nesta semana, no entanto, vamos contar a história de um brasileiro que tem feito sucesso bem perto do Brasil.

Contratado para jogar no futebol paraguaio no segundo semestre de 2021, o atacante brasileiro Francisco da Costa Aragão vestiu por seis meses a camiseta do Sol de América e foi um dos artilheiros do Clausura. Os gols ajudaram o time a terminar na terceira colocação a garantir uma vaga na Copa Sul-Americano, além do vice-campeonato da Copa.

Aliás, o desempenho no semestre foi tão bom que o jogador já tem novo destino confirmado para 2022: o Bolívar, time boliviano que pertence ao grupo City (o mesmo do Manchester e do New York) e será comandado pelo brasileiro Antônio Carlos.

Aos 26 anos e com passagem pelo futebol mexicano no currículo, Francisco da Costa jogou em alguns clubes do futebol brasileiro, mas se consolida como um nome no mercado sul-americano justamente depois de jogar nos países do continente americano e justamente em 2021 com a experiência no país vizinho, após terminar a temporada com 10 gols e 5 assistências em 21 partidas pelo centenário e tradicional time paraguaio.

“O Brasil tem poucas vagas para muitos jogadores, está recheado de jogadores que são bons e não vão ter espaço. Por mais que sejam bons, não tem espaço em alto nível para todo mundo. Muitas vezes acontece essa solução, que eu acho que os brasileiros ainda usam pouco de buscar um mercado no exterior. Foi o meu caso. Eu sinto e sempre senti que tenho totais condições de jogar no Brasil, mas é difícil encaixar tempo e espaço em um bom time, numa boa equipe e condição. Fico feliz de ter buscado meu caminho e ter crescido fora”, explica.

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Francisco terminou a temporada com 10 gols e cinco assistências no Paraguai. Divulgação/Sol de América


Base na dupla Gre-Nal, gratidão ao Furacão e benção de Marcelinho Paraíba

Natural de Taquari, que fica a aproximadamente 100km de distância da capital Porto Alegre, o jovem Francisco teve como muitos do estado gaúcho passagem pela base da dupla Gre-Nal como parte do seu processo de formação.

“Comecei no Grêmio, eu tinha 10 anos, fiz sub-10, 11 e 12. No Inter eu estive no sub-13. Com 15 anos eu tive uma passagem no CFZ, do Zico, no Rio. Esse foi o meu começo. Depois quando eu voltei do Rio, aos 16 anos, passei por Novo Hamburgo, fiz juvenil, 6 meses de juniores e subi para o profissional aos 18 anos, fiz 3 meses no profissional e fui para o Athletico“, relembra.

E a passagem pelo Furacão foi primordial ao jogador, que encontrou uma estrutura diferenciada que é comumente oferecida pelo clube aos atletas da base.

“Estar no Athletico foi maravilhoso. A estrutura, a organização do clube, eu era muito novo, mas hoje mais ainda eu me dou conta de quão organizado é e quão profissional os caras são lá dentro. É aquele negócio de formação, o clube por tamanha organização acaba te formando como atleta, como pessoa, você acaba entendendo como funciona um clube de verdade. Hoje está tudo cada vez mais profissional, mas o Athletico foi o primeiro”, comenta.

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Atacante em ação com a camisa do Athletico-PR. Reprodução/Instagram


Entre o período no Athletico e antes de sair do país, Chico jogou em alguns clubes como Inter de Lages, Tombense, São José e Operário Ferroviário. Mais especificamente no Inter de Lages o jovem atacante teve uma passagem com Marcelinho Paraíba, atacante de renome que jogou por diversos clubes grande do país e vestiu a camiseta da seleção brasileira, ficou marcada.

Na última rodada do Campeonato Catarinense de 2015, Chico estreou pelo Inter de Lages, saiu do banco, marcou um belo gol que rendeu a vitória ao time e foi eleito o mais bonito daquela rodada. Ao final da partida, Marcelinho Paraíba, o veterano e ‘dono’ elogiou muito aquele jovem, com o prenúncio do que viria a seguir.

Saída para o futebol mexicano e impacto no futebol paraguaio

As poucas chances no futebol brasileiro levaram Francisco da Costa a pensar em outras oportunidades. E elas vieram justamente em um mercado muito forte: o mexicano. O atacante passou as últimas quatro temporadas jogando por lá e vestiu a camiseta de clubes como Inter de Playas, Venados, Atlante e Querétaro.

“Jogar no México foi um crescimento como pessoa por morar fora, por mais que tenha uma cultura parecida com a do Brasil, ainda assim é outro país, estava longe de casa, outros costumes que acaba tendo que entender. Então como pessoa eu cresci bastante, cria uma casca por morar fora”, lembra.

A primeira experiência foi no Inter de Playas, da “Liga Premier”, que seria a terceira divisão na escala do futebol do país. Ele teve um bom desempenho e marcou 10 gols, terminando como o quinto maior artilheiro do Apertura de 2017.

O faro de gol rendeu uma passagem pelo Venados, na “Liga de Expansão”, a segunda divisão do país, e em 2018 foi para o Atlante, que disputava ainda a mesma divisão. Foram 26 partidas, 4 gols e 4 assistências pelo time antes de se transferir em 2020 para o Querétaro, seu último clube por lá.

“Eu gosto de jogar de 9 e jogo de segundo atacante também. Eu gosto de jogar perto do gol, mas também sei sair para jogar. Sinto que posso ajudar das duas maneiras. Eu me considero um jogador vertical, mas sei o caminho do gol com a bola ou sem a bola. Ajudo o time de outras maneiras, hoje o jogo é mais coletivo. Sinto que posso aportar tanto jogando no meio dos zagueiros quanto saindo também, criando espaços. Eu sou um cara que não gosto de depender só de uma jogada”, analisa.

Francisco teve longa passagem pelo futebol mexicano. Reprodução/Instagram


A chegada ao futebol paraguaio se deu em junho de 2021, quando o Sol de América estava em busca de um atacante e o presidente do clube, Miguel Figueredo, recebeu a indicação do brasileiro. O casamento foi perfeito.

“Cheguei com a cabeça boa. Não conhecia o país, mas fui entregue ao desafio, entendi a oportunidade que estava tendo em um clube organizado, não é o maior do Paraguai, mas organizado. Eu cheguei totalmente focado em fazer o melhor semestre possível, as coisas saíram bem e foi fundamental a maneira como me trataram, o espaço e a confiança que me deram”, comenta.

A média de gols e o desempenho em campo tem chamado a atenção principalmente do mercado sul-americano, com times de países próximos sondando as possiblidades, e pensando nisso o Sol de América correu para renovar o contrato do atacante.

“O futuro a Deus pertence. Eu sempre disse isso em todas as entrevistas e lugares. O meu sonho desde pequeno é viver, desfrutar do futebol e melhorar o meu nível. Todo jogador busca isso do conforto da estabilidade financeira aliado ao prestígio e ao prazer de jogar bola, jogar futebol. É só isso que eu busco. Depois para onde eu vou é o destino meio que vai levando e a gente vai analisando as propostas, mas sempre buscando crescer e jogar em um nível maior”, finaliza.

A média de gols e o desempenho em campo já garantiram um novo destino ao brasileiro, que irá jogar a fase preliminar da Libertadores pelo Bolivar, o time mais vencedor do futebol boliviano.

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