Rafael Augusto

Acredita no poder de contar uma história e que se for possível fazer a diferença para uma única pessoa, terá cumprido o seu papel. É formado em Jornalismo e tem especialização em Mídias Sociais. Atualmente no Bandsports, conta com passagens pela TV Band, ESPN, Olimpíada Todo Dia e Gazeta de Santo Amaro.

Brasileiros pelo Mundo

Gabriel Ramos, destaque brasileiro onde a bola não parou

Por Rafael Augusto 01/12/2020 • 15:52
Gabriel Ramos atua no Torpedo-Belaz Zhodino, da Bielorrússia
Gabriel Ramos atua no Torpedo-Belaz Zhodino, da Bielorrússia
Reprodução Instagram/Torpedo-Belaz Zhodino

O Brasil é o país que mais tem jogadores profissionais atuando mundo afora. Segundo a última pesquisa do Football Observatory divulgada em fevereiro deste ano, mais de 1500 atletas brasileiros atuam nos cinco continentes.

A pesquisa foi divulgada justamente em um período próximo às paralisações das competições por quase todo o globo devido à pandemia do novo coronavírus, mas alguns poucos países seguiram normalmente.

E é justamente a história de um brasileiro em um desses países que a coluna dessa semana aborda: Gabriel Ramos, meio-campo do Torpedo-Belaz Zhodino, time da Bielorrússia, país do leste europeu que manteve os campeonatos regularmente.

O Torpedo-Belaz leva o nome da cidade, Zhodino, e foi fundado em 1961. Durante todos esses anos, já trocou de nome por seis vezes, algumas com pouca diferença, mas está com essa última nomenclatura desde 2010.

Contratado nesta temporada, o meio-campo brasileiro de 24 anos ganhou destaque ao marcar 11 gols, ser o artilheiro da equipe e dar ainda sete assistências em uma campanha que acabou com a classificação para a próxima edição da Europa League. O terceiro lugar na Vysshaya Liga, o Campeonato Bielorrusso, marca inclusive o melhor resultado do time desde a mudança de nome da equipe.

“Eu vim parar aqui em fevereiro. Depois do Carnaval eu assinei. Eles tiveram interesse no meu futebol. Então assinei um contrato por uma temporada e até me surpreendi, porque eu não conhecia o país. Me surpreendi de forma positiva. Me adaptei legal”, conta.

Reprodução Instagram/Torpedo-Belaz Zhodino

Jogos em meio à pandemia e a vida na Bielorrússia

Até a última semana do mês de novembro, a Bielorrússia registava mais de 130 mil casos de contaminação por covid-19, com mais de 1100 mortos. Contudo, o futebol no país seguiu, mesmo enquanto a maioria das outras ligas, inclusive na Europa, iam parando.

“No começo eu pensei que íamos parar por causa da pandemia, pois estava muito perigoso. Nós ficamos preocupados, mas não parou. O clube deu toda a estrutura para a gente e seguimos, com uma temporada belíssima”, explica.

Como tem um ano de contrato, o brasileiro preferiu não levar ninguém da família, mas nem mesmo as dificuldades da pandemia ou o frio atrapalharam na adaptação, principalmente para alguém acostumado com as altas temperaturas.

“Por conta do coronavírus, eu não trouxe ninguém da família para cá esse ano e fiquei morando com o Lipe Velloso (companheiro de time) para a melhor adaptação”, diz.  “Viver aqui no frio é muito difícil porque sou do Rio de Janeiro, de Campo dos Goytacazes, mas já estou há três anos na Europa e me adaptei.”

Liga da Bielorrússia é oportunidade para brasileiros

Além de Gabriel, outros oito brasileiros jogam na elite da Vysshaya Liga. O número ratifica, como comprova a pesquisa citada no começo do texto, a quantidade de jogadores atuando pelo mundo e deixa o Brasil, neste caso, como a quarta nação com mais estrangeiros atuando na Bielorrússia, atrás apenas de Rússia, Ucrânia e Sérvia.

O Torpedo-Belaz Zhodino, justamente o time de Gabriel, é o que conta com a maioria dos atletas brasileiros: três (além do meia Lipe Veloso, com quem Gabriel divide a residência, tem ainda o meia Matheus Moresche atuando pelo clube). Isso pode explicar a campanha nesta temporada.

“Creio que foi um investimento. No ano passado, eles investiram muito, mas não conseguiram alcançar o objetivo. Esse ano eles contrataram brasileiros e deu liga. É muito importante o clube acolher a gente, ficamos mais à vontade para mostrar o nosso trabalho e nosso futebol”, relata.

E esse é o caminho natural para alguns. Gabriel Ramos iniciou a carreira nas divisões de base do Bahia e teve passagem pelo Flamengo. Além dos dois tradicionais clubes do futebol brasileiro, jogou também no Cuiabá, time em ascendência no cenário do futebol brasileiro até se transferir para o Dínamo Batumi, um dos grandes da Geórgia, e que costumeiramente contrata brasileiros.

A Vysshaya Liga, segundo o coeficiente de países europeus, seria a 29ª liga da Europa, mas um bom desempenho certamente garante espaço no mercado e em ligas superiores, algo que Gabriel pensa para o futuro.

“Tudo é oportunidade na vida. Eu tive a oportunidade de vir para cá trabalhar e ajudar a minha família financeiramente, e temos que correr atrás”, finaliza.