Rafael Augusto

Acredita no poder de contar uma história e que se for possível fazer a diferença para uma única pessoa, terá cumprido o seu papel. É formado em Jornalismo e tem especialização em Mídias Sociais. Atualmente no Bandsports, conta com passagens pela TV Band, ESPN, Olimpíada Todo Dia e Gazeta de Santo Amaro.

Brasileiros pelo Mundo

Glauber Lima, um jovem xerife que se profissionalizou nos Emirados Árabes Unidos

Por Rafael Augusto 26/01/2022 • 15:49
Zagueiro de 21 anos está na terceira temporada defendendo as cores do Al-Nasr
Zagueiro de 21 anos está na terceira temporada defendendo as cores do Al-Nasr
Instagram/Glauber Lima

A coluna desta semana vai trazer a história de um zagueiro brasileiro que atua no Oriente Médio, mais precisamente no futebol emiradense. O jovem Glauber Siqueira dos Santos Lima, conhecido como Glauber Lima, que aos 21 anos está na terceira temporada defendendo as cores do Al-Nasr.

Cria do Botafogo e até chamado para compor um treino da seleção brasileira, Glauber não chegou a atuar profissionalmente no Brasil e a estreia como profissional se deu já com a camisa 22 do Al-Nasr, time fundado em 1945, que manda suas partidas na cidade de Dubai e que contabiliza três conquistas da liga dos Emirados Árabes Unidos, quatro copas do Presidente dos Emirados Árabes Unidos, três copas da Federação e duas da Liga.

Glauber já vestiu a camisa do clube em mais de 60 partidas e tem cinco gols anotados, dando continuidade a uma extensa lista de jogadores brasileiros que defenderam o clube, sendo alguns dos mais notáveis Careca, Valdir Bigode, Nilmar e outros.

“Foi tudo muito rápido. Nunca tinha jogado no profissional antes de chegar aqui. Percebi que tinha que aprender algumas coisas e amadurecer mais rápido. Fui buscando ajuda com meus companheiros, assisti jogos para entender como funcionava o futebol emiradense e, principalmente, procurei treinar pesado para aproveitar essa chance. Por meio de muito trabalho, as coisas vêm dando certo. Em 2019, ganhei meu primeiro título com o Al-Nasr e fui considerado um dos melhores jogadores jovens do país”, fala.

Os desafios do futebol nos Emirados Árabes Unidos

Nos Emirados, Glauber já se sente muito bem adaptado e não somente pelo tempo que está no país, mas também por encontrar uma liga com tantos brasileiros, que assim como ele optaram por aceitar propostas de uma liga que historicamente tem uma grande quantidade de estrangeiros.

“Eu acho que essa opção dos brasileiros pela Liga Emiradense vai além do futebol. A chance de poder dar conforto a minha família e ter segurança no país é bem importante também. A minha família veio comigo e está muito feliz no país. É uma cultura completamente diferente da nossa, mas vejo que é um ótimo lugar para se viver”, explica.

Um outro benefício que uma grande quantidade de estrangeiros na Liga é a de justamente poder marcar jogadores de diferentes nacionalidades.

“Posso dizer que a maior parte dos times tem a parte ofensiva repleta de estrangeiros. Os brasileiros são os mais difíceis de marcar, sem dúvidas. Tento pensar pelo lado positivo, pois isso ajuda no meu amadurecimento e faz com que eu esteja pronto para qualquer desafio e adversário. Sem contar também que a vinda dos estrangeiros pra cá vem aumentando cada vez mais o nível técnico da Liga”, analisa.

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Glauber em ação com a camisa do Al-Nasr. Instagram/Glauber Lima


Como a profissionalização se deu no país dos Emirados Árabes Unidos, Glauber passou por um processo de maturação e desenvolvimento que a experiência com diferentes técnicos definitivamente o beneficiou. Nas três temporadas que lá está, ele trabalhou com o brasileiro Caio Zanardi, o croata Krunoslav Jurcic e agora o argentino Ramón Díaz.

“Eu aprendi que o que não pode faltar é vontade. De trabalhar, de lutar e de ganhar. Você pode estar no pior dia, mas tem que querer vencer. Atualmente, venho trabalhando com o Ramon Diaz. Estou tentando tirar o máximo possível de proveito dessa proximidade. É um treinador vencedor e muito experiente”, comenta.

Do Vasco para o Botafogo e treino com a Seleção

Glauber, que é filho de treinador, começou em escolinhas de futebol. Natural de São Gonçalo, ele teve uma passagem pela base do Vasco e depois se transferiu para concluir a sua formação no Botafogo.

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Glauber chegou ao Botafogo aos 13 anos. Instagram/Glauber Lima


“Quando tinha 10 anos, tive uma passagem breve pelo Vasco. Como não treinava todos os dias pelo clube, pelo fato de ser muito novo, jogava o Campeonato Niteroiense pelo Performance. Me destaquei em uma partida e chamei a atenção do treinador do Botafogo. Fui para lá com 13 anos e fiquei até os 19. Tenho um carinho enorme pelo clube. Ali pude conhecer muita gente, ganhar experiência e ser convocado pelo Tite para passar um período treinando com a Seleção Brasileira”, lembra.

A chance de aos 18 anos poder marcar alguns dos astros foi em março 2019, em Portugal, quando a seleção fez um período de treinamento durante o período de data da Fifa. Essa é uma atitude que Tite tem tomado para alguns dos treinos da seleção brasileira.

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Glauber marca Everton Cebolinha em treino da Seleção. Instagram/Glauber Lima


Hoje com contrato renovado até junho de 2025, Glauber não esquece do time que o revelou e espera um dia poder retornar para estrear com a camisa pela qual defendeu por tanto tempo na base.

“Hoje em dia, eu penso em ficar aqui sim e cumprir meu contrato. Quem sabe, no futuro, eu possa voltar para o Brasil. Acredito que minha história no Botafogo não acabou”, finaliza.

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