Rafael Augusto

Acredita no poder de contar uma história e que se for possível fazer a diferença para uma única pessoa, terá cumprido o seu papel. É formado em Jornalismo e tem especialização em Mídias Sociais. Atualmente no Bandsports, conta com passagens pela TV Band, ESPN, Olimpíada Todo Dia e Gazeta de Santo Amaro.

Brasileiros pelo Mundo

Heberty, o Pantera Negra que é idolatrado na Tailândia

Por Rafael Augusto 18/12/2020 • 17:17
Meia-atacante é hoje o segundo maior artilheiro da “Thai League”
Meia-atacante é hoje o segundo maior artilheiro da “Thai League”
Reprodução/Instagram

O futebol brasileiro sempre produziu e exportou diversos ídolos para muitos países do mundo. Alguns depois de fazer sucesso por aqui foram escrever o nome em outros rincões enquanto outros que não tiveram tantas oportunidades foram buscar o devido reconhecimento.

A coluna desta semana trará a história de um jogador que se tornou um dos maiores jogadores na história do futebol da Tailândia. Heberty Fernandes de Andrade, 32 anos, é natural de São Paulo, mas cultuado no país asiático.

A euforia é tanta com o meia-atacante que é hoje o segundo maior artilheiro da “Thai League” – com mais de 120 gols na elite – que torcedores chegam a fazer tatuagens do jogador. E isso também se deve a uma comemoração peculiar que se tornou uma marca do jogador.

“Cada gol eu comemorava de um jeito, mas quando lançou o filme Pantera Negra, eu me identifiquei muito por tudo que o mundo estava vivendo sobre racismo e preconceito. É muito raro você ver um super-herói negro”, explica.

Reprodução/Instagram

Ele ainda relembra a primeira vez da comemoração: “era um clássico, comprei a máscara na internet, chegou antes do jogo e pude fazer o gol e colocar a máscara”.

Dificuldades na transição da base para o profissional
O começo no futebol brasileiro não foi fácil para o meia-atacante, que passou por divisões de base do Nacional, Sumaré e Taboão da Serra e só foi se profissionalizar mesmo no Vasco da Gama.

“Foi uma época complicada, pois eu fazia testes e não passava. Eu fui para o Vasco na base, acabei subindo para o profissional, mesmo assim foi difícil, pois eu não cheguei a jogar”, relembra.

Sem jogar, deixou o Vasco para uma temporada no Recatanese, da Itália. O Retorno ao Brasil se deu no futebol paulista, quando defendeu as cores dos tradicionais Juventus, São Caetano e Paulista.

A quantidade de times defendidos aconteceu em um curto período entre os anos de 2008 e 2011, numa tenra idade para o jogador de futebol. Hoje, com a consciência das dificuldades enfrentadas naquela época, Heberty faz um alerta acerca da importância da categoria sub-23, os chamados times de transição.

“Os jogadores já sobem mais formados, com formação de jogo. Essa transição é muito importante até para não queimar o jogador e como a gente fala, não subir cru e acabar estragando o jogador. É muito importante, todos os clubes deveriam manter”, analisa.

Chegada ao futebol asiático
As atuações nas Séries A3 e A2 do futebol paulista e principalmente a campanha com o time do Paulista de Jundiaí, que resultou no título da Copa Paulista em 2011, despertaram o interesse do futebol japonês.

A entrada no futebol asiático teve passagens por três equipes: Thespa Kusatsu, Cerezo Osaka e Vegalta Sendai. O fato de já estar no mercado asiático possibilitou a ida para o futebol tailandês, mas inicialmente a contragosto do jogador.

“Foi uma situação estranha porque eu não queria aceitar. Eu estava no futebol japonês e a estrutura que tem, os clubes, estava jogando a primeira e Champions League. Quando chegou a proposta, logo de cara eu falei não, nem conheço o país, e olha que era um salário maior do que eu estava ganhando”, conta.

A insistência do presidente do Muangthong United, o segundo time mais vencedor da Liga Tailandesa, fez com que Heberty buscasse informações com outros jogadores, entrasse em consenso com a família e rumasse para se tornar um dos grandes no futebol do país.

“Se tornar um dos maiores artilheiros é muito gratificante porque eu sempre fui um meia-atacante e aqui me colocaram para jogar mais no ataque, coisa que eu não tinha no Japão por ser um futebol muito mais tático. É um marco na minha história aqui, até porque muitos outros jogadores que jogaram em clubes grandes europeus e passaram aqui, uns deram certo e outros não”, reforça.

Reprodução/Instagram

Pelo Muanthong, o brasileiro conquistou as Liga em 2016 e a Mekong Chul Championship (uma competição voltada aos países ao longo do Rio Mekong). No país, ele também defendeu o Port FC por uma temporada e nesse meio tempo ainda teve uma passagem pelo Al-Shabab, do futebol saudita.  

Naturalização problemática e planos para o futuro
O bom desempenho na Tailândia fez com que Heberty, assim como outros jogadores brasileiros, recebesse um convite para defender a seleção do Timor Leste no ano de 2017, mas um caso que trouxe problemas.

“Foi algo complicado na minha carreira, mas graças a Deus eu não tive nenhuma punição, até porque eu não cheguei a jogar, mas fui convidado. Lá tinha um treinador brasileiro e eles buscavam jogadores que estavam há muitos anos na Ásia. Eu cheguei a ir para o país, fiz o passaporte  legalmente, mas como já tinham outros jogando pelo país, eu não sei se o passaporte deles eram falsos, mas foram investigar e acabaram banindo muitos jogadores e inclusive o meu passaporte, mesmo sem ter jogado”, conta sobre o caso.

Para a temporada 2021, Heberty está de casa nova, pois acertou com o Bangkok United por três temporadas. O time foi campeão em 2006 e vice nos anos de 2018 e 2016 e ele é considerado uma peça chave para que o time conquiste o campeonato novamente. Contudo, Heberty ainda sonha em jogar em outros países antes do fim da carreira.

“Eu tenho a vontade de jogar na China ou por Dubai, Catar ou Emirados Árabes. Essa é a minha vontade”, fala, além de não descartar um retorno ao futebol brasileiro para a aposentadoria: “eu queria encerrar no Brasil, jogando perto dos meus familiares, coisa muito difícil deles terem me assistido, pois estou fora há muitos anos e queria dar esse prazer para eles”.

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